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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A indústria dos cursinhos 3

Apesar de tudo que escrevi nos posts anteriores, não sou inocente nem idealista. Existem, Brasil afora, casos (poucos, é verdade) de concursos que são pautados por cursinhos e que quem não faz o cursinho não passa. O que posso dizer é que esses casos são muito menos numerosos do que acreditam os adeptos da teoria da conspiração. Como já disse na postagem anterior, não queira empurrar o ônus da sua reprovação para supostas fraudes no concurso.

Também há casos, e quanto a estes é preciso ficar muito atento, de examinadores autores de livro. É relativamente normal que um examinador cobre aquilo que ele estuda, então ler o livro que ele escreveu é, certamente, uma ótima dica. Mas também há aqueles que forçam a barra: escrevem livros cheios de ideias malucas, inúteis ou irrelevantes, simplesmente para cobrar naquelas provas nas quais são examinadores. Ninguém mais escreve sobre esses absurdos e eles não acrescentam nada à teoria jurídica. Em geral, trata-se simplesmente de nomenclatura diferente para algo que já é muito conhecido. E o pior é que muitos desses caras reeditam continuamente esses livros para obrigar o leitor a refazer sua biblioteca. Procure descobrir se esse é o seu caso e, se for, entre no jogo. Você terá que ler esse livro. Mas não se preocupe, o consolo que temos é que os livros desses pilantras serão esquecidos tão logo deixem de ser examinadores.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A indústria dos cursinhos 2

Vamos agora, de um modo muito objetivo, analisar o que deve ser ponderado na decisão de fazer ou não fazer um cursinho.

1. Em primeiríssimo lugar, se você acha que só assistir às aulas vai lhe conduzir à aprovação, desista. O cursinho é uma ferramenta para encurtar o caminho. Não é uma liteira na qual você pode se deitar e simplesmente ser carregado até o destino. Querer passar só assistindo às aulas é como querer aprender uma língua estrangeira sem praticar.

2. Muito mais importante que cursinho é ter uma boa base. Já escrevi sobre isso em postagens anteriores: se você achou que a faculdade era uma festa de 5 anos, que bastava ser aprovado (em Direito, vocês já devem ter percebido, quase ninguém é reprovado) e depois tiraria o atraso no cursinho, você pegou o caminho errado. O cursinho pode lhe ajudar, mas será necessário estudar mais aquelas matérias das quais você tem pouca noção.

3. Se você já faz cursinho há mais de um ano e não vem notando um reflexo razoável em suas notas, talvez seja a hora de dar um tempo pelo menos de um semestre e estudar sozinho. Pode ser que a metodologia de ensino dos cursinhos não venha sendo adequada ao seu modo de aprendizado. Além disso, depois de um ano e meio, ninguém mais aguenta o ambiente de um cursinho.

4. Se você tem pouca disciplina para estudar sozinho, o cursinho é ótimo para você. Ajudará a lhe dar um norte e a criar uma rotina de estudos.

5. Se você é muito disciplinado, mas ainda assim acha que o cursinho faz falta, o melhor é priorizar aquelas modalidades de curta duração do tipo intensivão, maratona, reta final, que são mais voltados a traçar o perfil da prova do que a transmitir conhecimento propriamente.

6. Se você tem dificuldade de anotar durante as aulas e não tem paciência para ouvir as aulas gravadas, provavelmente o cursinho não é um lugar para você. Só ouvir o que o professor fala é muito pouco para absorver um conhecimento que dure por um prazo razoável. É a anotação que ajuda na fixação. E não se engane: xerocar o caderno dos outros não serve para nada. Anotações de aula são muito pessoais para que possam ser bem aproveitadas por quem não as fez, ainda que sejam daquelas pessoas que “anotam tudo”. Se você não anota, sua única alternativa será gravar a aula para ouvir de novo depois, o que eu considero uma grande perda de tempo, já que ler uma anotação é muito mais rápido que ouvir a aula inteira de novo. Também sou muito desconfiado dessa história de ouvir gravação de aula no rádio do carro. Duvido muito dessas teorias de aprendizado subliminar e também que alguém possa prestar atenção no trânsito e na aula ao mesmo tempo. Concurseiros podem causar acidentes!

7. Se você se encaixa na situação do item anterior, e ainda assim quer fazer cursinho, dê preferência às aulas pela internet, que você tem a possibilidade de assistir mais de uma vez e também de parar a hora que quiser para anotar, sem perder o fio da meada.

8. Não seja escravo do cursinho. Se você sabe bem uma matéria ou se o professor do cursinho é ruim, falte às aulas sem dó. Não fique fazendo contas de quanto aquela aula está lhe custando. É preferível usar o tempo para estudar sozinho e obter melhores benefícios.
Enfim, existe sim uma indústria dos cursinhos e, como numa corrida do ouro, quem está ficando milionário não são os milhões de garimpeiros, mas sim os poucos donos de armazém. O cursinho é um bom auxiliar para uma aprovação, mas não somos totalmente dependentes dele. Tudo vai variar conforme seu perfil.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A indústria dos cursinhos

Outro dia recebi um comentário de um leitor reclamando da indústria dos cursinhos e acho interessante fazer algumas considerações. Todo sistema de recrutamento de pessoal tem suas distorções: os processos de trainee de grandes empresas, com suas dinâmicas orais, prejudicam muito os candidatos tímidos; o recrutamento por curriculum prejudica os mais jovens; a indicação prejudica os não apaniguados e o que dizer do esdrúxulo sistema eleitoral de juízes e promotores nos Estados Unidos!

O concurso público, então, também não está livre de problemas. O primeiro é o recrutamento de gente com muito conhecimento teórico e pouquíssimo conhecimento prático, pouco “tino” para lidar com os problemas da vida real. O outro é que, com o passar do tempo, o serviço público passou a ser, no Brasil, uma alternativa muito atraente. Isso gerou aumento da procura, que por sua vez gerou um aumento de concorrência, que gerou uma demanda de capacitação desses mesmos concorrentes. Aí nasceram os cursinhos. Com concorrentes mais qualificados, foi necessário dificultar cada vez mais as provas, para evitar situações como a que ocorreu no concurso de servidor do TRF 1, em que pessoas que fecharam a prova não foram chamadas para preencher as vagas. O problema, é claro, é que muitas organizadoras de concurso “emburreceram” e passaram a perguntar cada vez mais picuinhas da matéria. Isso refletiu nos cursinhos, que passaram a ensinar essas picuinhas num círculo vicioso interminável. Mas a pergunta que interessa continua sendo: dá para passar sem cursinho? A resposta é: claro que sim! Tenho um amigo que foi recentemente aprovado no concurso para juiz em Minas Gerais sem nunca ter sentado em um banco de cursinho. Mesmo tendo sido reprovado em tentativas anteriores, ele não cedeu à pressão e continuou acreditando que o melhor era estudar sozinho. A questão, então, é saber como usar bem o cursinho, caso você decida fazê-lo. É disso que tratarei no próximo post, que estará disponível amanhã.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Tudo junto e misturado?

Recebi uma pergunta de uma leitora se seria melhor estudar apenas uma matéria de cada vez ou misturar mais de uma matéria. Eu diria que cada método tem suas vantagens. A principal vantagem de estudar uma coisa só de cada vez é que você pode efetivamente submergir naquela matéria, o que melhora o grau de apreensão do conhecimento. Por outro lado, isso é muito mais cansativo, já que você lida sempre com o mesmo tipo de conhecimento. Estudar mais de uma matéria permite que você suavize um pouco a rotina, alternando-as, mas será preciso mais atenção para evitar confusões e para não passar por cima de detalhes de uma matéria pensando na outra.

Minha dica seria a seguinte: enquanto você estiver focado, estude uma coisa só. Quando começar a sentir que está perdendo o foco e se cansando do estudo, comece outra coisa. Procure também não misturar mais de duas ou três matérias nessa alternância, senão a salada fica muito grande. Por fim, controle seu prazo. Se o concurso está chegando, não adianta saber tudo de uma coisa e nada do resto. Nessa situação o melhor é alternar as matérias, estudando duas por dia. A que você sabe menos primeiro e a que você sabe mais, depois.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O fatalismo e a reprovação 2

Meu caros, 

recebi um comentário tão interessante do post O fatalismo e a reprovação que achei importante republica-lo aqui para que todos possam ver a importância da conscientização a respeito do valor dos fracassos. Aliás, obrigado a todos que vêm comentando as postagens e acompanhando o blog. Espero contribuir para a vindoura aprovação de vocês.

"Posso dizer que a decisão de prestar concurso público foi uma lição de humildade para mim. Sempre fui muito boa aluna, fiz uma boa faculdade, passei nas provas de todos os estágios que quis e tirei uma das notas mais altas da prova da OAB. Achei que minha aprovação seria certa e rápida. Que engano! Passaram-se dois anos e sequer fui para uma segunda fase...antes, culpava o destino, falava que havia o fator sorte e que ele não estava ao meu lado! Realmente, acredito na vontade de Deus para minha vida, mas precisei descer do pedestal e enxergar as reprovações como fruto de uma má preparação! Além disso, cometia o mesmo erro do colega do correioweb: me perdia em milhares de livros. Bom, a única coisa que quero dizer é que eu me vejo no comentário do colega. Quer dizer, me via. Hoje mudei, aprendi a ser mais humilde, aprendi a ouvir os que já foram aprovados, aprendi a estudar de forma mais organizada e algo incrível aconteceu: não acredito mais que o fator sorte irá interferir, tenho certeza da minha aprovação, pois sei que aprendi a estudar da forma correta. Bom, o final dessa história ainda não aconteceu, mas espero um dia contar que passei na prova e sou Procuradora da República."

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Guia de sobrevivência: viver para contar

Respondo, finalmente, a última pergunta de meu prezado leitor, agradecendo-o pelo contato e desejando-lhe a melhor sorte nas provas vindouras:

"3) Cite duas coisas que fez e faria novamente se fosse iniciar hoje a preparação para o concurso de Juiz Federal e MPF. E duas que não repetiria”.

Aqui vou ser bem objetivo: duas coisas que eu faria de novo:

1) trabalharia e estudaria. Acho que ser concurseiro pressiona muito a pessoa e prejudica o desempenho. Além disso, a experiência prática faz com que você fixe mais o que aprender que qualquer estudo teórico, especialmente em matéria de processo. Quem advoga sabe qual o prazo de uma apelação ou de um agravo, sem ficar decorando isso. Por fim, o concurseiro, infelizmente, vem sendo malvisto pelas bancas de Juiz e MP, uma vez que se exigem os 3 anos de experiência prática. Aquelas 5 ou 10 petições que você assinou com um amigo não enganam ninguém. Então, eu indicaria pelo menos um trabalho de meio período, para lhe dar tranqüilidade financeira, psicológica (“mas você está só estudando há quanto tempo?”) e jurídica.  

2) Resumos: não acho que exista melhor meio de fixação. Não adianta, como diria uma amiga da minha mãe, comer livros se na hora da prova você não vomita nada. É preciso fixar a matéria. Descubra o que funciona para você. Se quiser, volte aos meus posts sobre métodos de fixação.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Guia de sobrevivência: como superar o fracasso

Caros amigos, ainda estou devendo a resposta de duas perguntas de meu prezado leitor. São elas:

"2) Teve momentos de fracasso, desânimo, vontade de desistir durante a preparação? Se positivo, o que fez para superar?

3) Cite duas coisas que fez e faria novamente se fosse iniciar hoje a preparação para o concurso de Juiz Federal e MPF. E duas que não repetiria”.


Vou responder, aqui, à segunda. É claro, como já contei no post anterior, que existem momentos de fracasso. Estudar muito, divertir-se pouco, gastar dinheiro que não dá retorno, ser reprovado, se sair mal quando pensava ir bem. O fracasso faz parte da experiência. E eu também tive vontade de desistir, embora, como já contei, tenha passado bastante rápido.

Como fazer para superar isso? Obviamente, só você poderá dizer. Cada um tem um gosto, uma forma de se recuperar. O que é preciso ter em mente é que não é, ainda que você assim o pese, o fim do mundo não passar em uma prova.

Não acredito que eu possa dizer a cada pessoa o que fazer para superar um fracasso. Um cursinho lhe daria as dicas óbvias: família, amigos, namorada etc. Não acho que seja assim. Cada um sabe o que é melhor para si. Eu, por exemplo, preciso falar do fracasso. Preciso esgotá-lo em todas as suas variáveis. Depois, preciso saber o motivo. Preciso corrigir a prova, sofrer com os erros. Enfim, para superar, preciso beber o cálice até o fim. Para alguns, é melhor esquecer. Não há uma regra unânime.

Eu daria apenas uma dica extrema: caso o fracasso lhe abata tanto, que você comece a sentir que está prejudicando sua vida, seus estudos e, portanto, suas chances de aprovação futura, faça como o Brasil: decrete uma moratória. Fique 2, 3, 6 meses sem estudar. Nada. Esqueça isso. Esses não serão os últimos concursos públicos do mundo. Depois, com as baterias recarregadas, você volta e terá mais energia para enfrentar o que vier, mesmo os eventuais fracassos futuros. Mas, por favor, a vida é mais que um emprego público.

Deixo a última pergunta para depois. Aguarde as dicas para o MPU. Um abraço.


quarta-feira, 21 de julho de 2010

Guia de Sobrevivência: A corrida

Prezados, continuando com o post anterior, vou responder às perguntas de um leitor, que entrou em contato comigo por meio do e-mail do blog. Ele perguntou o seguinte:

“1) Quanto tempo de estudo demorou para o Senhor passar no seu primeiro concurso grande (tipo Procurador, ou outro...)? E para Juiz Federal (que foi antes do MPF)?

2) Teve momentos de fracasso, desânimo, vontade de desistir durante a preparação? Se positivo, o que fez para superar?


3) Cite duas coisas que fez e faria novamente se fosse iniciar hoje a preparação para o concurso de Juiz Federal e MPF. E duas que não repetiria”.


Vamos às respostas.

A primeira é uma pergunta que você, concurseiro, não deve, nunca, fazer a ninguém, e isso por uma simples razão: na corrida pela aprovação, nem todos largam da mesma posição. Cada um tem uma capacidade mental – por favor, vamos superar os pueris consolos das professoras primárias, que nos diziam que todos são igualmente inteligentes; se alguns desenham bem, outros mal, alguns cantam bem, outros mal, alguns correm muito, outros pouco, não há nenhum motivo razoável para acreditar que as pessoas tenham a mesma capacidade mental – cada um tem um potencial de memorização, cada um tem uma história acadêmica – mais base ou menos base, faculdade melhor ou pior etc – cada um tem uma história de vida – precisa trabalhar ou não, tem filhos ou não – cada um tem a sua capacidade de estudo etc etc. Então, se nem todos largam do mesmo lugar, não há como comparar os desempenhos. Seria como iniciar o cronômetro quando um começa a corrida e o outro ainda está no vestiário, e depois dizer que o segundo é ruim porque demorou mais tempo para correr. Não dá. Cada um tem seu tempo. O importante é não desistir e utilizar os fracassos em seu favor, e não se deixar massacrar por ele.

A melhor forma de fazer isso? Refaça a prova, consultando a doutrina e jurisprudência – não apenas com o gabarito – e entenda, de verdade, o que foi que você errou. Tenho certeza de que você nunca mais se esquecerá e, se aquilo cair de novo, o que acontece com freqüência, você não esquecerá.

Contarei uma experiência pessoal sobre isso: quando eu estava estudando para o concurso de Procurador do Estado, fiz uma prova anterior, e errei uma questão sobre bens imóveis por disposição legal. A resposta certa era que os títulos da dívida pública eram bens imóveis. Pois bem, fui depois fazer a prova para advogado da MGI, na qual passei em segundo lugar, e lá estava a questão de novo. Assinalei, com gosto: os títulos da dívida pública são bens imóveis. Saiu o gabarito e eu, desconcertado, vi que havia errado a questão. Já estava preparando o recurso quando descobri que a prova anterior que eu havia feito era relativa ao Código Civil de 1916, e que o CC/02 alterou isso!!

Errei a questão, mas a partir daí aprendi que quem bate, esquece, mas quem apanha, lembra. Depois que você errar uma questão, e descobrir os motivos de seu erro, jamais esquecerá aquilo na vida, tal como eu nunca mais esquecerei que os títulos da dívida pública são bens móveis! Terminando, apenas para não dizerem que eu fugi da pergunta, em comecei a estudar em um mês de agosto, e a primeira etapa do TRF4 foi em janeiro seguinte, e a do MPF em fevereiro. Em ambos os concursos, eu passei na primeira tentativa. Todavia, é preciso considerar que, embora eu trabalhasse, tinha horário flexível, meu trabalho como Procurador do Estado era muito criativo, o que me proporcionava grande aprendizagem, tenho uma família que me apoia muito, não tenho filhos, nunca passei por privações financeiras – comecei a trabalhar logo que me formei - fiz uma boa faculdade, fui um bom aluno durante toda a faculdade, tinha um método de fixação bem definido – como já contei aqui, eu fazia resumos – o que é muito importante, e tenho, modestamente, uma boa capacidade de memorização. Então, posso dizer que, para minha felicidade, saí muito na frente da maioria das pessoas que tentam concursos, então, não fiz mais que minha obrigação. Isso não significa que você, que está em uma situação diferente, tenha que fazer o que eu fiz.

Vou continuar a responder no próximo post, para não matá-los de cansaço. Abraços e aguardem dicas  para o MPU e TRF4.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Guia de Sobrevivência: este post pode salvar sua vida

Caros leitores, peço licença para fazer uma rápida interrupção das dicas bibliográficas. É que recebi um e-mail, pelo contato que disponibilizei no post anterior, de um atento leitor deste blog, narrando algumas dificuldades que, acho, são comuns a diversas pessoas que se dedicam aos concursos, e se tornarão cada vez mais comuns à medida que o tempo passa.

Meu leitor relata que é servidor do Poder Judiciário, ganha um valor que não é miserável, mas também não é alto, trabalha o dia todo com uma atividade repetitiva e estuda à noite e nos finais de semana. Seu problema é que não consegue passar em um concurso melhor. Já esteve bastante próximo, mas não passa. Considera que, apesar de ter tempo, por morar sozinho, não consegue se organizar satisfatoriamente para estudar, e está desmotivado por não conseguir passar. Afirma que tem tentado diversos concursos, e considera que as diferenças nos editais também o comprometem a qualidade de seu estudo. Por fim, relata que acabou de completar 30 anos, e isso agravou sua crise. Por fim, me faz as seguintes perguntas:

“1) Quanto tempo de estudo demorou para o Senhor passar no seu primeiro concurso grande (tipo Procurador, ou outro...)? E para Juiz Federal (que foi antes do MPF)?

2) Teve momentos de fracasso, desânimo, vontade de desistir durante a preparação? Se positivo, o que fez para superar?

3) Cite duas coisas que fez e faria novamente se fosse iniciar hoje a preparação para o concurso de Juiz Federal e MPF. E duas que não repetiria
”.

Muito bem, se você está em uma situação parecida, este post pode salvar sua vida, igualzinho ao programa do Discovery Channel.

Meus amigos, meu caríssimo leitor, essa situação se tornará cada vez mais comum, uma vez que os concursos públicos se tornarão cada vez mais difíceis. Ao contrário do que alguns cursinhos tentam vender, não existe aprovação fácil. E, como os candidatos estão cada vez mais preparados, as provas se tornarão mais difíceis. Não adianta ficar tentando mascarar a realidade.

Mas, é preciso considerar que suicídio, homicídio, genocídio, parricídio, fratricídio ou qualquer outra variação que você se lembre não são a solução para o problema. Existem momentos de desânimo? É claro que sim. Lembro claramente da raiva que eu sentia quando, voltando do cursinho nas quartas feiras, às 11 da noite, com o terno que eu havia vestido às 7 da manhã, passava na porta de um bar e via as pessoas assistindo, tranquilamente, aos – horríveis – jogos do campeonato brasileiro. E eu pensava: será que todo esse sacrifício vale à pena? Isso fora o gasto, o cansaço, as horas furtadas do convívio familiar etc.

Mas, com tudo isso, se você se entregar ao desespero, só estará caminhando no sentido oposto à direção que você quer tomar. A primeira lei, nessa hora, deve ser a praticidade: meu comportamento e meu estado emocional estão favorecendo ou dificultando minha aprovação? Se estão dificultando, pise no freio! De todos os meus colegas de carreira, tanto na magistratura, quanto no Ministério Público Federal, quanto na Procuradoria do Estado, não conheço um único que tenha conseguido passar PORQUE abriu mão de sua vida pessoal, sentimental, de seu tempo livre etc. A neurose é a maior inimiga da aprovação. Não confundir, é claro, neurose com ser estudioso. Todos os aprovados são estudiosos, mesmo aqueles que são superdotados. Mas é preciso usar o estudo como um aliado, não como um inimigo e, a partir do momento que ele passa a destruir o restante da sua vida, você só está piorando suas chances. Como me alonguei muito, continuarei no próximo post, respondendo as perguntas de meu leitor. 
Aguarde, nos próximos dias, dicas para o esperado concurso do MPU. Abraços a todos.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Uma análise de concorrência

Realizou-se, nesse fim de semana, o concurso público para diversos cargos do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais - TRT, o qual divulgou a impressionante marca de mais de 60 mil inscritos para o cargo de técnico administrativo.


É uma marca, realmente, assustadora. Contudo, é preciso que quem está engajado no estudo para concursos públicos faça uma análise coerente desses dados. Em primeiro lugar, a experiência demonstra que uma pequena parte dessa concorrência é efetivamente séria. Infelizmente, muitas pessoas ainda acreditam que passar em concurso é uma questão de sorte. Caro leitor, se for para confiar na sorte, meu conselho é: vá apostar na mega-sena, porque, em concursos, a sorte somente pode vir a lhe proporcionar um cargo público. Na loteria, pelo menos, você resolve sua vida e não precisa mais trabalhar nunca.

É claro que um pouco de sorte é bom, mas a verdade é que a sorte favorece quem está bem preparado. Quanto mais você sabe, maior é a chance de ter a “sorte”, de ser cobrado algo que você saiba.

Então, eu creio poder afirmar que, desses todos, menos de 5.000 candidatos terão uma nota que se possa considerar razoável para aprovação em um concurso desse nível. Ainda é muito, mas é bem menos do que 60 mil. O importante, então, é fazer alguma coisa para se distinguir. Leia os tópicos anteriores, escolha um método de fixação, e estude. Caso contrário, é melhor começar a preencher bilhetes de loteria....