No próximo dia 06 acontece a mobilização nacional contra a lei Maluf. Só pelo nome, já dá para saber que não pode ser nada que preste. E, de fato, não é. Trata-se de uma lei que pretende criminalizar condutas de promotores e procuradores para constrangê-los a não investigar os políticos. É preciso que todos os cidadãos se mobilizem contra esse absurdo retrocesso na democracia brasileira. O MP, desde 88, defende o cidadão e a sociedade brasileira. É hora de sairmos em sua defesa.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Bibliografia para concursos
Alguns leitores pediram que eu desse algumas dicas de bibliografia. Antes de tudo, gostaria de deixar claro que esse é um dilema parecido com o de Noel Rosa: “com que roupa eu vou/pro samba que você me convidou?” Na verdade, quase toda roupa, assim como quase todo livro, são bons. O importante é o uso que fazemos deles. Ou seja, o importante é conseguirmos extrair e absorver conteúdo do livro. Por melhor que seja o livro, não terá valor se você não tiver conhecimento suficiente para compreende-lo ou não tiver uma boa metodologia para absorver o que leu (remeto o leitor ao post anterior, métodos de fixação, no qual já tive a oportunidade de aprofundar o assunto).
Também gostaria de deixar claro que não tenho nenhum envolvimento com qualquer autor ou editora, de modo que os comentários que expresso aqui se baseiam exclusivamente na minha experiência, não tendo a intenção de privilegiar ou ofender quem quer que seja.
Isso posto, a primeira dica é: tenha noção de onde você está e de onde você quer chegar.
terça-feira, 2 de março de 2010
O chifre e a cabeça do cavalo VI - um exemplo
Para encerrar essa cruzada sobre as questões de múltipla escolha (acho que já me fiz entender), aí vai um exemplo, que tornará tudo mais claro. Na prova para estagiários da Procuradoria da República em Governador Valadares-MG, elaborada por mim, caiu a seguinte questão:
Recebido o inquérito policial, ainda em andamento, sem relatório, e com pedido de prazo para novas diligências, já elencadas pelo delegado de polícia, o Ministério Público Federal pode adotar qualquer uma das seguintes condutas, exceto:
a) Denunciar, desde já, por entender já estarem presentes indícios suficientes de materialidade e autoria.
b) Arquivar os autos, por entender que as diligências solicitadas não serão úteis, e não se encontram presentes indícios de autoria e materialidade.
c) Requisitar diligências distintas das elencadas pelo delegado, nesse caso, condicionado à fixação de prazo superior ao solicitado.
d) Deferir prazo inferior ao solicitado.
A resposta escrita no gabarito era letra "c", uma vez que o Ministério Público pode requerer as diligências que quiser, e fixar o prazo que quiser, não havendo relação entre uma coisa e outra. Ocorre que, depois da prova, recebi um recurso, aliás, bastante inteligente, que dizia: a alternativa "b" também está incorreta, porque o Ministério Público não pode arquivar o processo, mas sim pedir o arquivamento.
Confesso ao fiel leitor que, no momento em que elaborei a questão, não pensei nisso, e fiquei impressionado com a perspicácia do candidato. Mas, indeferi o recurso. A questão se focava na atividade do Ministério Público, não na distinção semântica entre arquivar e pedir arquivamento. Além disso, a alternativa "c" estava, evidentemente, errada. Assim, me parece que o candidato, nesse caso, procurou chifre em cabeça de cavalo: se fixou na distinção semântica entre arquivar e pedir arquivamento, ao invés de ler todas as alternativas e ver qual estava mais errado. Eu, como qualquer examinador, indeferi o recurso, embora tenha admirado a inteligência do candidato.
Então, minha conclusão é a seguinte: pegadinhas são como ETs: elas existem, mas a maioria das aparições acontece apenas na nossa imaginação.
P.S.: mesmo com o indeferimento do recurso, o recorrente foi aprovado no concurso.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O chifre e a cabeça do cavalo V
Uma outra dica para não cair na pegadinha que você mesmo criou, ou seja, para não ficar divagando e procurando chifre em cabeça de cavalo é: nunca extrapole a questão. O que está escrito é o que vale. Nunca adicione dados ou hipóteses, além daquilo que está escrito. É muito comum as pessoas saírem da prova afirmando: "certo, mas se você pensar assim e assim, essa alternativa fica errada". Esse é o maior erro. Questões de múltipla escolha sempre serão, em sua maioria, óbvias. Você pode até não saber a resposta, por não ter o conhecimento necessário, mas raríssimamente esse tipo de raciocício lhe levará a algum lugar, além do erro. A resposta da múltipla escolha deve ser buscada dentro das alternativas, valendo-se, se necessário, de uma comparação entre elas para saber qual a mais certa, não em uma divagação a partir das alternativas.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
O chifre e a cabeça do cavalo IV
A essas alturas, você deve estar se perguntando: "mas Edilson, se eu não procurar chifre em cabeça de cavalo, vou cair em todas as pegadinhas"! De fato não é fácil equilibrar a detecção das pegadinhas com os chifres em cabeça de cavalo. Como tudo na vida, a virtude está no meio: é preciso ter maldade, mas é proibido se perder em divagações. E a maldade que você aplica na análise deve sempre ser pautada pela análise do grau de correção da alternativa, a que me referi anteriormente. Você deve pensar: "acho que essa está errada pois há uma pegadinha aqui". Mas não pare por aí. Adicione: "se essa pegadinha existir mesmo, essa será a mais errada entre as alternativas"? Se positivo, ok, marque essa. Em caso negativo, pule fora. Sempre opte pela alternativa que lhe pareça mais correta, ainda que você tenha a pulga atrás da orelha com uma outra. É claro que isso não é fácil, nem é uma coisa para se conseguir de um dia para o outro. Mas, na minha experiência, posso afirmar a você, com toda tranquilidade: é muito mais comum as pessoas errarem questões em razão de ficarem procurando pegadinhas que não existem, esquecendo de marcar as questões mais óbvias, do que, por tentarem ver a obviedade, caírem na pegadinha.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
O chifre e a cabeça do cavalo III
Em uma questão de múltipla escolha, há 3 tipos de assertivas: absurdas, corretas e duvidosas. O problema está nessas últimas. Não é segredo para ninguém que as questões de múltipla escolha nem sempre são bem elaboradas (vide o número de questões anuladas) ou não conseguem exprimir para o candidato o que o examinador deseja. Assim, a melhor metodologia para responder a essas questões é, em primeiro lugar, eliminar as absurdas (sempre 1 ou 2) e depois lidar apenas com as restantes. Se houver uma obviamente correta, não fique procurando chifres na cabeça de cavalo da duvidosa. Marque sempre a mais correta. Não perca tempo pensando sobre o recurso que você pode fazer para anular aquela questão. Quem julga o recurso é, em regra, o próprio examinador. Assim, se estiver em dúvida entre 2 ou 3 alternativas, pense sempre: "qual dessas é a mais correta". Esse simples juízo pode lhe salvar um acerto.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
O Chifre e a cabeça do cavalo II
Lida a questão atentamente, você vai perceber se ela quer saber qual é a alternativa certa ou qual é a errada. A partir daí, você deve ler cada alternativa com atenção e, ao final, pensar: isso que acabei de ler é certo, errado ou eu não sei? Se for certo, coloque um "C". Se for errado, um "E". Se não souber, "?". Ao final, tendo classificado assim as alternativas, basta conferir no enunciado se o que você quer é a certa ou a errada, e marcar sem dúvida.
Leia todas as alternativas. Mesmo que você tenha certeza que a alternativa a ser marcada é a letra "a", nunca encerre a questão por aí. Muitas vezes, as outras alternativas lhe mostrarão que seu raciocínio está errado ou que há uma alternativa mais errada que aquela, tema que abordarei no próximo tópico.
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