sexta-feira, 24 de maio de 2013

Dicas quentes para o 27º Concurso: a experiência de um aprovado no 26º

Meus amigos, como sabem, minha ideia nesse blog nunca foi a de criar um leitor “fiel”, que acesse todo dia em busca de algum “caminho das pedras”. Caminho das pedras não existe e quem se propõe a indicá-lo (ou vendê-lo) não está falando a verdade. É por isso que eu não escrevo sempre. Escrevo quando acho que tenho algo relevante a dizer (e quando tenho tempo para fazê-lo). 

Acho que este post é muito importante. E ele não foi escrito por mim. Pedi ao meu amigo Marcelo Malheiros (que é coautor de uma obra muito boa sobre processo coletivo, o Curso de Processo Coletivo, lançado pela Del Rey), que foi recentemente aprovado no 26º Concurso para Procurador da República, e ainda entre os 10 primeiros, que escrevesse o que ele considera importante para o vindouro 27º Concurso. O post ficou excelente, de modo que o publico tal como Marcelo escreveu. É a experiência de alguém que acabou de ser bem sucedido nesse que é, sem dúvida, o concurso mais difícil do país. Recomendo veementemente a leitura e agradeço de público ao Marcelo pela disponibilidade. 

GRUPO 1 

Constitucional / Metodologia jurídica: eu considero essas matérias as mais previsíveis de todas, embora isso não signifique que seja uma prova fácil. Desde que a Deborah Duprat assumiu como examinadora, o perfil da prova retrata bem o modo dela de pensar o direito, então o que cai em peso são questões relacionadas a direitos fundamentais, direitos das minorias (índios, quilombolas e comunidades tradicionais), ações de controle de constitucionalidade e jurisprudência do STF (principalmente os julgamentos em que a Deborah atuou). O que eu fiz foi ler tudo o que ela já escreveu (ADIs, pareceres, artigos... atualmente, boa parte desse material pode ser encontrado em www.deborahduprat.com). Li também o livro Estatuto do Índio (Edilson Vitorelli), que me ajudou muito, e obras de Daniel Sarmento (principalmente para a segunda fase). Não se pode esquecer da parte de Metodologia, principalmente na prova objetiva. A melhor forma que eu encontrei foi estudar cada um desses pontos do edital em fontes variadas e resumos de grupos de estudos (não há tempo para ler várias obras de Metodologia, infelizmente, e também não existe um livro bom voltado para concursos). Como em qualquer outra matéria, é essencial fazer as provas objetivas anteriores. Ouvi dizer que houve a modificação de alguns pontos no edital do 27º, que merecem ser estudados com atenção pelo candidato. 

Proteção internacional dos direitos humanos: com a manutenção do Eugenio Aragão na banca, espera-se a cobrança aprofundada dessa matéria. Tanto aqui como em Direito Internacional Público e Privado, a melhor forma de estudar é com base no edital, item por item. Eu acho que o Eugenio é o examinador mais fiel ao edital, e isso facilita um pouco os estudos. Como bibliografia, indico o manual da ESPMU (http://www3.esmpu.gov.br/linha-editorial/outras-publicacoes/Manual_Pratico_Direitos_Humanos_Internacioais.pdf) e os livros do André de Carvalho Ramos. Lembro que nas provas subjetivas citei algumas posições com base no livro Responsabilidade Internacional por Violação de Direitos Humanos, do ACR, o que me rendeu nota máxima em todas as questões de internacional. A leitura de tratados (os dispositivos mais importantes) e o estudo de casos também são essenciais, embora estes não estejam mais citados expressamente no edital. 

Eleitoral: como haverá troca do examinador e ainda não se divulgou o nome do novo integrante da banca, fica difícil dar uma dica. O que posso dizer é que estudei principalmente por lei seca (exaustivamente) e resumos. Se o candidato não tiver um resumo confiável, sugiro que estude pelo livro do José Jairo Gomes, o melhor que vi (mas não li). Não li nenhuma jurisprudência do TSE nem resoluções, o que não me prejudicou em nada (pelo menos com o examinador anterior). Minhas melhores notas foram em Eleitoral e me garantiram uma boa colocação no concurso, por isso não se deve deixar de lado essa matéria. Como tem muita decoreba e nem sempre o candidato está familiarizado com o assunto, uma boa dica é deixar para revisá-la na véspera da prova, o que fiz isso em todas as fases. 

GRUPO 2 

Administrativo/ambiental: eu achei a prova objetiva no 25º e no 26º relativamente fáceis. Nicolao Dino aperta mesmo é na prova oral, com várias perguntas detalhistas e sempre tentando colocar o candidato em contradição. Na minha prova oral, por exemplo, depois de várias questões dificílimas sobre UCs, Nicolao abriu o laptop e foi me perguntando detalhes da LC 75, como requisitos para promoção, remoção, nomeação do PGR etc. Mas, para a prova objetiva, que é o que interessa agora, sugiro o estudo das leis ambientais (li e reli um livro da Juspodivm do Romeu Thomé com o Leonardo Garcia, que é pequeno, didático e tem as principais leis ambientais) e uma boa leitura de qualquer manual conceituado de Administrativo, com especial atenção para desapropriação e improbidade administrativa. Nicolao cobra decoreba de leis na prova objetiva (inclusive a já mencionada LC 75) e também um pouco de jurisprudência do STJ. Vale a pena ler os artigos dele, que são muito bons, a maioria sobre direito ambiental. 

Internacional público / Internacional privado: o que foi dito para proteção internacional dos direitos humanos também vale aqui, ou seja, com a manutenção do Eugenio Aragão na banca, deve-se estudar com base no edital, item por item. Infelizmente, não dá para limitar o estudo a um desses manuais básicos para concursos. O máximo que eles podem servir é para um contato inicial com a matéria. Depois dessa primeira leitura (usei o curso do Portela), eu li quase tudo que apareceu na minha frente, principalmente textos do próprio Aragão ou citados por ele. Muitos colegas indicam o livro do Malcolm Shaw (há uma versão em português, não li), do Bassiouni (em inglês) e, na parte de Direito Penal Internacional, um curso do Cretella Jr. (difícil de encontrar, acho que deve ser bom). No meu grupo de estudos, chegaram a traduzir e resumir o livro do Bassiouni (mas cuidado, um amigo citou a classificação dos crimes internacionais do Bassiouni na prova oral e ouviu muitas críticas do examinador). Eu também ouvi o examinador criticar a expressão “combatentes ilegais”, que vem sendo novamente utilizada pelos EUA em razão do recente atentado em Boston. Fora a bibliografia, vale frisar novamente a importância da leitura de tratados (apenas o que for mais relevante – ex.: Estatuto de Roma, Carta da ONU) e do estudo de casos do DIP (há casos que merecem um estudo aprofundado, como Barcelona Traction e Fábrica de Chorzow). No Direito Internacional Privado, a cobrança é menos exaustiva, mas, ainda assim, deve-se ter muita atenção com os temas de cooperação jurídica internacional. Há material no site da PGR que pode ajudar. Para a segunda fase, li um livro chamado Auxílio Direto, de Maria Rosa Loula Guimarães, que gostei muito. 

Tributário / Financeiro: por incrível que pareça, minhas piores notas foram nessas matérias. Cometi o erro de deixá-las um pouco de lado achando que seria uma prova fácil, mas não é bem assim para quem não tem afinidade com elas (tirando a prova oral). Os enunciados da prova objetiva exigem muito conhecimento da jurisprudência do STJ e do STF. Para Tributário, acho que o livro do Ricardo Alexandre e a leitura dos informativos do STJ e do STF resolvem. Já no caso de Financeiro, é preciso estudar os conceitos básicos da matéria e dar uma boa lida na Constituição, na LC 101 e na Lei 4.320. Vale a pena fazer as provas anteriores, já que o José Arnaldo examina essas matérias há anos. 

3º GRUPO 

Consumidor/Econômico: ainda não há informação de quem será o examinador nessas matérias, visto que depende de indicação da OAB. Tanto no 25º quanto no 26º, os examinadores foram muito razoáveis, então espero que a Daniela (examinadora do 26º) seja mantida. A prova objetiva foi relativamente tranquila, trazendo questões de ambas as matérias (no 25º concurso o examinador incluiu apenas questões de econômico). Em consumidor, foi cobrado o conhecimento de jurisprudência e decoreba de lei. Eu estudei pelo livro “Manual do Direito do Consumidor à luz da jurisprudência do STJ”, do Procurador da República Felipe Peixoto Braga Netto, que considero ideal para esta prova. Já em econômico, há uma dificuldade de bibliografia. Cheguei a ler um livro, mas não tenho coragem de indicá-lo. Acabei estudando por conta própria, fazendo várias questões de provas anteriores e também de outros concursos, consultando jurisprudência e lendo várias vezes a Lei 8.884/94 (que agora deu lugar à Lei 12.529/2011). Será a primeira vez que cairá a Lei 12.529/2011 na prova objetiva do MPF, então não preciso nem ressaltar a importância de conhecê-la detalhadamente. 

Civil: há bastante tempo Sandra Cureau vem examinando Civil, por isso vale a pena fazer e estudar as questões das provas anteriores, não só do 25º e 26º, com a ressalva de que me parece que Sandra sempre procura o “novo” ou “inusitado” na elaboração de cada prova. No 26º, por exemplo, um dos enunciados fazia menção às ordenações portuguesas! É difícil dar conselhos sobre como estudar Direito Civil, acredito que o mais importante seja a leitura da lei seca, o que é desagradável, mas rende muitos frutos. Quanto à bibliografia, ficou nítida a elaboração de questões, no 26º concurso, com base no livro do Silvio Venosa. Se o candidato tiver tempo para ler os volumes do Silvio Venosa, ótimo. Mas se não tiver tempo, como a maioria, não há motivos para desespero. Acho que, ao lado da leitura da lei seca, um volume único de Direito Civil ou até resumos/sinopses dão conta do recado, chamando atenção, sempre, para o que for mais incomum de ser cobrado, e também para questões envolvendo direito de família e das sucessões. 

Processo Civil: tanto no 25º quanto no 26º essa matéria foi examinada pela Sandra Cureau. Ao contrário de Direito Civil, as questões foram bem tranquilas. Para o processo individual, acho que a utilização do Curso/Manual de preferência do candidato, qualquer que seja ele, já é suficiente. Sandra também inclui questões sobre processo coletivo logo na prova objetiva, o que, para mim, foi um prato cheio. Mesmo no caso do processo coletivo, a prova não é difícil, envolve principalmente decoreba de lei, além de um pouco de jurisprudência relativa a temas ligados ao MPF, como legitimidade para causas envolvendo direitos individuais homogêneos. Se o candidato já possuir uma noção sobre os conceitos básicos do processo coletivo, acredito que a leitura da lei seca é suficiente; do contrário, vale a pena procurar um Curso/Manual e ler os capítulos sobre definição de direitos coletivos, legitimidade, competência, inquérito civil (ainda não caiu), coisa julgada e mandado de segurança coletivo. Também pode cair algo sobre improbidade administrativa em processo civil. 

4º GRUPO 

Penal: com o menor número de matérias, o 4º grupo foi decisivo no 26º concurso, tendência que deve ser mantida no 27º. No caso de Penal, Ela Wiecko é uma examinadora muito experiente, com muitos artigos publicados, que exige uma boa preparação tanto na parte geral quanto na parte especial do direito penal. Para a parte geral, além de um bom caderno e dos artigos da examinadora, li trechos dos cursos do Rogério Greco e do Zaffaroni para tirar dúvidas, principalmente concurso de autores e finalidades da pena (caiu uma questão sobre isso na prova objetiva do 26º). Para a parte especial também me vali de um excelente caderno que possuía, além do livro Crimes Federais do José Paulo Baltazar Jr., que é imprescindível (lembro que no 26º teve uma questão sobre moeda falsa que aparentemente foi formulada com base no livro do Baltazar). 

Processo penal: os examinadores de processo penal do 25º e do 26º não foram os mesmos, mas o grau de exigência foi similar. Eu achei que Artur Gueiros (examinador do 26º) elaborou uma prova bem razoável, dando enfoque em questões sobre provas ilícitas. Não dá para fazer a prova objetiva do MPF sem ter lido o Curso de Processo Penal do Eugenio Pacelli, ou pelo menos boa parte dele, como foi o meu caso. Aposto em uma prova seguindo os mesmos moldes da do último concurso.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

27º Concurso do MPF – Parte 2

Vamos a mais algumas dicas de estudo sobre o vindouro concurso do MPF:

Direito Internacional (público, privado e direitos humanos): a mudança no posicionamento dos grupos do 25º para o 26º concurso diminuiu consideravelmente o arraso que essa matéria provocou no 25º. Apesar disso, ainda é um problema. O examinador, Eugênio Aragão, é uma das pessoas que mais entendem desse assunto no país. As perguntas elaboradas por ele foram bastante específicas, bem distante de uma simples corrida de olhos em alguma sinopse ou coisa do tipo. É preciso estudar mesmo, se você não tem familiaridade com a matéria. Já postei algumas dicas de bibliografia, inclusive um livro que está disponível online gratuitamente no site da Escola do MPU. 

Direito Eleitoral: continuo apostando em uma prova como as anteriores: fácil. O problema é que ninguém estuda eleitoral, já que não cai quase em concurso nenhum. Aqui acredito que valha a pena buscar um livro mais estilo concurso, menos teórico e mais objetivo. 

Direito Administrativo: se o examinador for confirmado, dois temas são importantíssimos: improbidade administrativa e direito ambiental. O MPF cobrava ambiental de modo muito superficial até o 24º. Nicolao Dino mudou isso totalmente. É preciso se aprofundar um pouco mais na matéria, não basta saber diferença entre princípio da precaução e da prevenção. Unidades de conservação foram bastante cobradas nas provas anteriores. 

Direito Constitucional: além dos índios e minorias, já mencionados no post anterior, acredito em uma prova bastante teórica, sobretudo voltada para questões de direitos humanos, teoria da constituição e do controle de constitucionalidade. Na prova do 26º, Déborah cobrou bastante jurisprudência recente do STF, mas acho que isso é pressuposto para quem pretende prestar um concurso como o MPF com reais chances de aprovação. Tem que saber e pronto. 

Tributário e financeiro: se tivermos, mais uma vez, o José Arnaldo da Fonseca, o financeiro deve ser o foco. Ele não tem entrado em minúcias do CTN. Não acredito em uma prova difícil nessa matéria. 

Consumidor e Econômico: nas últimas provas, essas matérias ficaram para o examinador da OAB. Foram fáceis e mais focadas no econômico que no consumidor, em razão do perfil dos examinadores. Isso é um pouco inusitado para concursos, já que o econômico costuma ser uma matéria marginal. Ainda assim, foi uma prova que salvou muita gente. 

Pretendo continuar aprofundando isso nos próximos dias, então, fiquem ligados. Respondendo a uma pergunta: estou trabalhando em uma nova edição do “Estatuto do Índio”, eis que, segundo informou a editora, a atual está quase esgotada. Apesar disso, se o cronograma do concurso for mantido, não acredito que ela seja lançada antes da 1ª etapa, infelizmente. Peço desculpas por não poder ajudá-los mais que isso.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O que estudar para o 27º Concurso do MPF

Como disse na postagem anterior, o edital do 27º concurso para Procurador da República deve sair nos próximos dias. Isso dá ao candidato de 2 a 3 meses até o dia da primeira etapa. Aí vem a questão: o que estudar até lá. É claro que não há como ter certeza absoluta de nada, mas a experiência dos dois concursos anteriores nos permite dar alguns palpites fundamentados: 

1) Penal e processo penal, sozinhos no grupo 4, vão continuar sendo decisivos. É preciso estudar, e muito, essas duas matérias. Elas seriam minhas prioridades absolutas. É bom observar que o MPF tem cobrado crimes bem inusitados para os estudantes normais de penal, como crimes contra a saúde pública etc. É bom dar uma olhada neles. Para o estudo específico dos crimes federais, o livro do Baltazar continua imbatível. Apesar disso, é preciso lê-lo com critério, pois ele é muito grande e muito complicado. Leia “por cima”, apenas apreendendo os entendimentos principais e deixando os detalhes de lado. Se fizer isso, conseguirá ler o livro em um tempo relativamente curto. Em processo penal, a questão principal continua sendo a nova lei de medidas cautelares. Na época do 26º, ela ainda era nova. Agora, já há muito mais bibliografia e jurisprudência. 

2) Índios, quilombolas e outras comunidades tradicionais continuarão a ser cobrados em constitucional e em internacional. É preciso ler a Convenção 169 da OIT. Nessa matéria, peço desculpas, mas não tenho outros livros a recomendar além dos meus: Estatuto do Índio e a segunda parte do Estatuto da Igualdade Racial e comunidades quilombolas. Tive um aluno recentemente em um curso para a prova oral de outro concurso que afirmou textualmente que foi reprovado no MPF por desconhecer os entendimentos relativos aos índios. Cuidado com o que a jurisprudência diz nessa matéria! O MPF discorda de quase tudo. 

3) Civil e processo civil. As provas da Sandra, especialmente a de processo civil, têm cobrado questões mais tradicionais e não os entendimentos muito novos. Dê uma olhada nas provas anteriores para se calibrar. O que posso dizer é que ler o livro do Marinoni (pelo menos o de Teoria Geral do Processo) não adiantou nada nas provas anteriores. 

Amanhã, mais algumas dicas de estudo.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Boa notícia: 27º Concurso do MPF

Meus amigos candidatos a Procurador da República, tenho uma excelente notícia para vocês: na semana passada o Conselho Superior do Ministério Público Federal aprovou o 27º concurso para Procurador da República. O edital deve ser publicado ainda neste mês, após a indicação do examinador pela OAB, e deve trazer algo em torno de 50 vagas. 

Essa ainda não é a boa notícia. A boa notícia é que o Conselho Superior decidiu manter a mesma banca examinadora do 25º e 26º concursos, de modo que já temos um perfil consideravelmente completo dos examinadores. Há, portanto, excelente material para quem quer estudar especificamente para essa prova e, de modo especial, para quem já tentou os concursos anteriores. 

Minha dica de estudo é: 

1) Leia todos os posts que fiz sobre os concursos anteriores, que estão agrupados no link <Concursos do MPF> ou podem ser encontrados facilmente na ferramenta de busca do blog. Tudo o que escrevi continua válido. 

2) Faça ou refaça as duas provas anteriores do MPF. Isso não quer dizer apenas fazer a prova e ver que nota você consegue. Além disso, você precisa depois voltar, questão por questão, e descobrir se você sabia mesmo a resposta ou se chutou e, no caso de ter errado, qual a resposta certa. Isso será um excelente estudo e permitirá que você conheça o estilo de cada examinador. 

Uma observação final, a título de curiosidade: dos 4 candidatos a futuro PGR (a lista tríplice será votada por nós no próximo dia 16), 3 são examinadoras! Déborah, Ela e Sandra. 

É hora de acelerar os estudos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Curso para a prova oral da PFN

Meus amigos, amanhã publicarei um post sobre a escolha do foco de estudos. Um assunto que me parece muito importante. Hoje, entretanto, peço licença para mandar um recado aos aprovados para a prova oral da PFN. 

Neste final de semana conduzi a primeira turma do curso para a prova oral da PFN, em São Paulo. Essa é uma prova oral complicada. Em primeiro lugar, inédita para a carreira. Em segundo lugar, com muitos candidatos. Segundo me disseram os alunos, a perspectiva é que passem de 400. Em terceiro lugar, a diferença de pontuação entre os candidatos é relativamente pequena, de modo que, mesmo que a PFN resolva aprovar muita gente, uma boa nota facilmente significar 100 posições a mais. Há muito em jogo nesse exame. 

Por fim, para terminar as complicações, o carnaval está no meio da convocação para a oral e sua realização, segundo o cronograma original. Por isso, há pouco tempo disponível mesmo para a oferta de cursos. 

Assim, estamos organizando, juntamente com o Verbo Jurídico, novas turmas para a prova oral da PFN. Como meu limite é de 15 alunos por turma, é certo que não poderei atender a todos os interessados. Então, quem tiver interesse, peço entrar em contato com o Daniel (Daniel@verbojurídico.com.br ou 51.81423797) para que possamos definir as datas. 

O programa permanece o mesmo, que vem sendo bastante apreciado pelos alunos:

Manhã: exposição geral acerca da prova oral.

1 – O que é verdadeiramente avaliado em uma prova oral?

2 – Por que não devemos subestimar uma prova oral. Os riscos.

3 – O que estudar até o dia da prova

4 – Como se preparar psicologicamente para a prova oral

4.1 Chegar a Brasília com antecedência?

4.2 O sono na noite anterior

4.3 Medicamentos

4.4 Aguardando sua vez

5 – Como se vestir para a prova oral

6 – Preparação: para além do conhecimento. As três regras de ouro de uma prova oral: treino, demonstração de conhecimento e o esquecimento do passado.

7 – Como são as perguntas em uma prova oral.

8 – Como se portar no momento do exame: forma de se assentar (posição das pernas e da cadeira), de se dirigir ao examinador, de controlar o microfone, para onde olhar, como lidar com o paletó.

9 – Gestos durante a prova oral e os vícios gestuais.

10 – Colocação da voz: o problema dos vícios de linguagem o do sotaque. Como limpar a voz antes da prova. Os problemas extras dos fumantes. Tomar água durante o exame?

11. Respiração.

10 – Como formular suas respostas:

10.1 Como são as perguntas de uma prova oral.

10.2 O que fazer se você sabe

10.3 O que fazer se você sabe parcialmente

10.4 O que fazer se você não sabe nada

10.5 Como dançar conforme a música do examinador e como fazer sua própria música. Como conduzir a sua prova sem desrespeitar a autoridade do examinador. 

11 – Esclarecimento de dúvidas

Tarde:

Dinâmica coletiva. Realização de alguns simulados de prova oral com os candidatos que se voluntariarem, para correção coletiva de erros. 

Nivelamento de conhecimento. Discussão de questões atuais que podem ser objeto de prova. 

Atendimento individual. Esclarecimento de dúvidas pessoais e realização de simulados individuais com os candidatos que preferirem não ser assistidos pelos demais. 

Cada aluno terá oportunidade de ser avaliado pessoalmente pelo professor, durante aproximadamente 15 minutos, perante os colegas ou isoladamente. A atividade será composta das seguintes fases: 

1 – arguição simulada pelo professor

2 – comentários sobre a performance do aluno

3 – esclarecimento de dúvidas individuais que o aluno queira apresentar

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A hora de parar

Este é o tema mais difícil que já abordei aqui no blog. Confesso que venho pensando nisso há muito tempo, mas não tive coragem (ou talvez, talento), para escrever o que penso. Peço que sejam condescendentes com essa postagem. Não quero ofender ninguém (quando quero ofender alguém, como vocês já viram em posts anteriores, sei muito bem como fazer). Mas acho que esse é um tema que nunca foi abordado em relação a concursos públicos no Brasil, e que precisa ser dito. Desculpem-me, desde já, se causar algum mal estar. 

Para que você entenda este post, preciso que você leia a postagem imediatamente anterior, na qual tratei dos conceitos de dor e sofrimento. A dor é necessária para passar em concursos. O sofrimento, opcional. 

Pois bem. A pergunta que proponho é: quando parar de fazer concursos? Quando desistir? Todos os meus colegas (?) gurus de concursos têm uma resposta pronta. Nunca! Desistir é para os fracos! Se um dia você se imaginou Procurador da República, deve perseguir esse objetivo com todas as suas forças, porque um dia você vai conseguir. Afinal, todos somos igualmente inteligentes. Se seu colega conseguiu, você também pode. 

Para quem quer apenas uma dose de motivação para esse início de ano, pode parar de ler por aqui. Fique com essa ideia e vá fundo. Se você se sente suficientemente motivado para ler algo que não seja tão bonito sem querer se matar, vamos adiante. 

Se eu, que tenho 30 anos, dissesse hoje que quero me tornar um tenista do ranking da ATP (eu sequer sei jogar tênis), eu não acho que receberia mensagens de apoio do tipo “vá em frente, todos somos igualmente dotados”. “Se você praticar muito e treinar dia e noite, pode ser um grande tenista”. Não. As pessoas provavelmente diriam “veja bem, você não é mais tão jovem, quem não começa cedo nunca vai chegar a ser um grande tenista. Por que você não pensa em uma outra carreira”? Ou então “mesmo que existam chances de que você se torne um grande tenista, elas são muito pequenas e o sofrimento pelo qual você vai ter que passar para isso – horas e horas de treino etc. - não compensa”. 

Curiosamente, entretanto, ninguém, ninguém mesmo, repete esse discurso do eu-tenista para alguém que queira fazer um concurso público. O discurso é sempre o do parágrafo anterior. Existe um acordo não explícito de que é normal dizer que alguém não é fisicamente capacitado para alguma coisa, mas é ofensivo dizer que alguém não é intelectualmente capacitado para alguma coisa, porque isso equivale a dizer que alguém é burro. Há, segundo um amigo meu, um excesso de revolução francesa. Igualdade demais. 

Meus amigos, na minha opinião e na opinião de todos os pesquisadores de neurociências, as pessoas não são igualmente capacitadas para passar em um concurso público, pelo simples fato de que os atributos intelectuais, tal como os físicos, não são uniformes entre as pessoas. Mesmo que haja variados tipos de inteligências (segundo Howard Gardner, lógico matemático, linguístico, musical, espacial, cinestésico, interpessoal, intrapessoal e naturalista), cada pessoa tem um coeficiente diferente para cada uma delas e – aqui está o ponto importante – nem todas elas são exigidas para um concurso público. 

Aqui está minha primeira tese: pessoas diferentes vão enfrentar graus de dificuldade diferentes para passar em um concurso. Não adianta você se comparar com seu colega de faculdade, que era um vagabundo e hoje é Procurador da República. Pode ser que ele seja mais inteligente que você em um tipo de inteligência que é mais exigida pela lógica do concurso público. 

Assim, não se revolte por isso. Conscientize-se que você terá que experimentar mais dor (= mais horas de estudo) se quiser se manter nesse caminho. Não que eu acredite que esses obstáculos sejam insuperáveis. De modo algum. Mas não existe essa de que todos são iguais no que se refere a concursos públicos. Isso é conversa para vender livro de autoajuda. 

Um bom exemplo disso é a capacidade de memorização. Não é segredo para ninguém que os concursos hoje, especialmente na área jurídica, são predominantemente dependentes da memória, muito mais que da inteligência. Então, quem tem uma boa memória sai na frente. Esse é o meu caso. Eu vivo irritando todo mundo que está a minha volta com a frase “você já me contou esse caso”, porque eu me lembro com facilidade das histórias que as pessoas contam. Quem não tem boa memória, vai ter mais dificuldade. 

Também há pessoas que simplesmente não conseguem ficar sentadas a tarde toda lendo um livro. Simplesmente não conseguem. Não é falta de esforço ou de disciplina. Elas não têm essa capacidade. Como diria minha avó, elas “não têm sofrimento pra isso”. Assim, mesmo que os obstáculos sejam superáveis para algumas pessoas, para outras, dependendo de suas características de personalidade, podem, sim, ser insuperáveis. 

Dito isso, chego e minha segunda e mais polêmica tese: qual é a hora de parar? Qual é a hora de reconhecer que talvez o caminho dos concursos não seja para você? 

Essa hora, na minha opinião, existe e pode ser obtida por vários indícios. Primeiro: você está sofrendo muito por estudar? Não estou falando de dor (que é necessária), mas de sofrimento. Você acorda se arrastando para ir para o cursinho, se sente desmotivado com o estudo, não consegue se concentrar nele, levanta toda hora, entra no Facebook toda hora, no correio web toda hora. No final do dia, percebe que não se lembra de nada do que deveria ter estudado. Suas relações interpessoais (família e amigos) estão sendo prejudicadas pelo estudo. Em síntese, estudar para você não é motivante, mas é um sofrimento. 

Mais do que isso, você percebe que, apesar de todo o esforço e de todo o gasto financeiro que você vem fazendo, você não está avançando nos concursos que faz. Pelo contrário, você não passa em nada e nem fica perto de passar. Essa é a hora de parar. A verdade nua e crua é que quem não fica nem perto de passar em vários concursos, não vai, de repente, passar no seguinte. Ou a pessoa muda radicalmente sua postura ou vai continuar enriquecendo a indústria do concurso. A verdade é a oposta. Quem passa em um concurso, geralmente passa em vários ou fica perto de passar em vários. Não existe a fada madrinha dos concursos, que vai fazer alguém, de repente, passar em uma prova depois de 20 reprovações longe da nota de corte. 

Mas, você se perguntaria, parar para fazer o que? Ser desempregado? Afinal, hoje não há advogados desempregados. Todo mundo que está desempregado está “estudando para concursos”. E é claro que é melhor dizer à família e aos amigos que se está estudando para concursos. Mas, se você está na situação do parágrafo anterior, essa opção só vai prolongar seu sofrimento e suas despesas, com remotas chances de aprovação. É melhor encarar a vida de frente de uma vez, por mais difícil que seja. 

Outra questão, que vale para quem já tem um cargo e está estudando para outro é verificar se vale o sacrifício. Não é se contentar, é estar satisfeito. Vejo muita gente que já ocupa um cargo, por exemplo, de analista, mas sofre porque o cargo que idealizou ocupar quando era aluno era de juiz. Será que esse sofrimento vale à pena? Será que não há outros campos da sua vida em que você possa ser feliz sem alcançar esse cargo? Se você lida bem com isso, excelente, acho até que essa situação (trabalhar e estudar) é a melhor, como já escrevi aqui. Mas, se você está sofrendo, não seria o caso de pensar se não é melhor ser feliz com o cargo que tem do que passar de novo pela maratona do concurso? 

Enfim, a dor é necessária, mas o sofrimento tem que ser opcional. Se o sofrimento está te fazendo mal, pare. E isso não significa necessariamente parar para sempre. Tire um ano (ou um semestre) sabático. Vá fazer outra coisa. Se você precisa de dinheiro, vá advogar ou exercer alguma outra profissão. Se não, pense em algo mais prazeroso. Às vezes, você se descobre. Há inúmeros casos de pessoas que encontraram seu verdadeiro caminho por acaso, quando abandonaram (ou foram demitidos) a carreira que sempre quiseram. Conheço uma estilista nacionalmente famosa que é formada em direito e estudava para concursos. Resolveu parar e achou o seu caminho. Esse pode ser o seu caso. Se, depois desse tempo, você se sentir melhor, volte a estudar. Os concursos estarão lá, do mesmo jeito que estavam. 

Embora muita gente pense assim, ninguém é melhor do que ninguém porque passou em um concurso público. A aprovação pode ser simplesmente o resultado acidental de uma pessoa ter características mentais inatas que são valorizadas (às vezes, injustamente) no concurso. Se, por acaso, o modo de seleção para o cargo fosse outro, aquela pessoa não passaria. Ter um determinado cargo público não fará de você uma pessoa melhor, nem mais feliz.

A mensagem que quero deixar é: nenhuma aprovação vale o preço de sua saúde, nem física, nem mental. É preferível ser honesto com você mesmo e dizer “não sirvo para esse negócio de concurso” do que se impor um sofrimento que, além de ter poucas chances de ser bem sucedido, pode trazer consequências graves. Existe vida além do sonho do concurso público. Existe vida além do pesadelo do concurso público.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ordem e método: especial de fim de ano. A dor é necessária e o sofrimento, é opcional?

Um tema que eu considero sinceramente fascinante acerca da preparação para concursos é a questão do sofrimento. Existe uma visão corrente de que o sofrimento é condição para a aprovação. É preciso sofrer para ser aprovado. Então, nessa época do ano, é muito comum ver pessoas anunciando nas redes sociais, com orgulho, que não estão aproveitando as festas e sim se “preparando para a guerra” e outras analogias com batalhas.

Confesso que já fui assim. Acho que isso tem a ver com nossa percepção de merecimento. Só nos julgamos dignos de uma conquista quando sofremos. A conquista é a redenção que vem pelo sofrimento.

Tudo isso é bobagem. A dor é necessária para se passar em um concurso público. Por muito brilhante que alguém seja, terá que se privar de fazer muitas coisas que gostaria para estudar. É que o concurso exige fundamentalmente acúmulo de conhecimento, de modo que a capacidade intelectual é um facilitador, mas não resolve tudo. Quem promete que vai ensinar alguém a passar em concurso de modo indolor é charlatão.

Mas o sofrimento é opcional. O sofrimento é a autoimposição de uma dor inútil. É querer usar a dor como justificativa, como caminho para a aprovação. É achar que, porque sofri, tenho mais direito de ser aprovado.

O objetivo de quem estuda é, parafraseando os utilitaristas, maximizar o proveito e minimizar a dor. Não é vantagem aprender muito sofrendo muito, mas sim aprender muito sofrendo o mínimo possível.

É por isso que eu acho que, a não ser que você esteja inscrito em um concurso com prova em janeiro, não deve estudar no recesso de fim de ano. Isso é sofrimento desnecessário. Você vai se privar das festas, da companhia da família, em troca de um conhecimento que você poderá facilmente adquirir nas primeiras semanas do ano. Aproveite esse período para limpar sua mente, descansar do esforço do ano que passou e se preparar para os desafios que virão.

Além disso, o sofrimento não garante a aprovação. Ninguém passa porque sofreu. Passa porque adquiriu os conhecimentos necessários. A busca deve ser adquirir esses conhecimentos do modo menos sofrido, ainda que doloroso. Esse é o objetivo de todas as técnicas de estudo sérias, como as que eu proponho aqui no blog. Concordo plenamente com quem diz que o segredo para a aprovação é sentar e estudar. É mesmo. O problema é que tem gente que, mesmo sentando e estudando muito, não passa, porque não consegue tirar dessa dor o conhecimento necessário. Assim, a dor é só sofrimento, sem proveito. O que proponho aqui são mecanismos que possam ajudar o estudante a tirar o máximo proveito dessa dor.

A dor será sempre necessária, mas o sofrimento, acreditem, é opcional. Então, se você não tem prova marcada para janeiro, largue os livros, aproveite o reveillon e volte no dia 07 com força total.