segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A hora de parar

Este é o tema mais difícil que já abordei aqui no blog. Confesso que venho pensando nisso há muito tempo, mas não tive coragem (ou talvez, talento), para escrever o que penso. Peço que sejam condescendentes com essa postagem. Não quero ofender ninguém (quando quero ofender alguém, como vocês já viram em posts anteriores, sei muito bem como fazer). Mas acho que esse é um tema que nunca foi abordado em relação a concursos públicos no Brasil, e que precisa ser dito. Desculpem-me, desde já, se causar algum mal estar. 

Para que você entenda este post, preciso que você leia a postagem imediatamente anterior, na qual tratei dos conceitos de dor e sofrimento. A dor é necessária para passar em concursos. O sofrimento, opcional. 

Pois bem. A pergunta que proponho é: quando parar de fazer concursos? Quando desistir? Todos os meus colegas (?) gurus de concursos têm uma resposta pronta. Nunca! Desistir é para os fracos! Se um dia você se imaginou Procurador da República, deve perseguir esse objetivo com todas as suas forças, porque um dia você vai conseguir. Afinal, todos somos igualmente inteligentes. Se seu colega conseguiu, você também pode. 

Para quem quer apenas uma dose de motivação para esse início de ano, pode parar de ler por aqui. Fique com essa ideia e vá fundo. Se você se sente suficientemente motivado para ler algo que não seja tão bonito sem querer se matar, vamos adiante. 

Se eu, que tenho 30 anos, dissesse hoje que quero me tornar um tenista do ranking da ATP (eu sequer sei jogar tênis), eu não acho que receberia mensagens de apoio do tipo “vá em frente, todos somos igualmente dotados”. “Se você praticar muito e treinar dia e noite, pode ser um grande tenista”. Não. As pessoas provavelmente diriam “veja bem, você não é mais tão jovem, quem não começa cedo nunca vai chegar a ser um grande tenista. Por que você não pensa em uma outra carreira”? Ou então “mesmo que existam chances de que você se torne um grande tenista, elas são muito pequenas e o sofrimento pelo qual você vai ter que passar para isso – horas e horas de treino etc. - não compensa”. 

Curiosamente, entretanto, ninguém, ninguém mesmo, repete esse discurso do eu-tenista para alguém que queira fazer um concurso público. O discurso é sempre o do parágrafo anterior. Existe um acordo não explícito de que é normal dizer que alguém não é fisicamente capacitado para alguma coisa, mas é ofensivo dizer que alguém não é intelectualmente capacitado para alguma coisa, porque isso equivale a dizer que alguém é burro. Há, segundo um amigo meu, um excesso de revolução francesa. Igualdade demais. 

Meus amigos, na minha opinião e na opinião de todos os pesquisadores de neurociências, as pessoas não são igualmente capacitadas para passar em um concurso público, pelo simples fato de que os atributos intelectuais, tal como os físicos, não são uniformes entre as pessoas. Mesmo que haja variados tipos de inteligências (segundo Howard Gardner, lógico matemático, linguístico, musical, espacial, cinestésico, interpessoal, intrapessoal e naturalista), cada pessoa tem um coeficiente diferente para cada uma delas e – aqui está o ponto importante – nem todas elas são exigidas para um concurso público. 

Aqui está minha primeira tese: pessoas diferentes vão enfrentar graus de dificuldade diferentes para passar em um concurso. Não adianta você se comparar com seu colega de faculdade, que era um vagabundo e hoje é Procurador da República. Pode ser que ele seja mais inteligente que você em um tipo de inteligência que é mais exigida pela lógica do concurso público. 

Assim, não se revolte por isso. Conscientize-se que você terá que experimentar mais dor (= mais horas de estudo) se quiser se manter nesse caminho. Não que eu acredite que esses obstáculos sejam insuperáveis. De modo algum. Mas não existe essa de que todos são iguais no que se refere a concursos públicos. Isso é conversa para vender livro de autoajuda. 

Um bom exemplo disso é a capacidade de memorização. Não é segredo para ninguém que os concursos hoje, especialmente na área jurídica, são predominantemente dependentes da memória, muito mais que da inteligência. Então, quem tem uma boa memória sai na frente. Esse é o meu caso. Eu vivo irritando todo mundo que está a minha volta com a frase “você já me contou esse caso”, porque eu me lembro com facilidade das histórias que as pessoas contam. Quem não tem boa memória, vai ter mais dificuldade. 

Também há pessoas que simplesmente não conseguem ficar sentadas a tarde toda lendo um livro. Simplesmente não conseguem. Não é falta de esforço ou de disciplina. Elas não têm essa capacidade. Como diria minha avó, elas “não têm sofrimento pra isso”. Assim, mesmo que os obstáculos sejam superáveis para algumas pessoas, para outras, dependendo de suas características de personalidade, podem, sim, ser insuperáveis. 

Dito isso, chego e minha segunda e mais polêmica tese: qual é a hora de parar? Qual é a hora de reconhecer que talvez o caminho dos concursos não seja para você? 

Essa hora, na minha opinião, existe e pode ser obtida por vários indícios. Primeiro: você está sofrendo muito por estudar? Não estou falando de dor (que é necessária), mas de sofrimento. Você acorda se arrastando para ir para o cursinho, se sente desmotivado com o estudo, não consegue se concentrar nele, levanta toda hora, entra no Facebook toda hora, no correio web toda hora. No final do dia, percebe que não se lembra de nada do que deveria ter estudado. Suas relações interpessoais (família e amigos) estão sendo prejudicadas pelo estudo. Em síntese, estudar para você não é motivante, mas é um sofrimento. 

Mais do que isso, você percebe que, apesar de todo o esforço e de todo o gasto financeiro que você vem fazendo, você não está avançando nos concursos que faz. Pelo contrário, você não passa em nada e nem fica perto de passar. Essa é a hora de parar. A verdade nua e crua é que quem não fica nem perto de passar em vários concursos, não vai, de repente, passar no seguinte. Ou a pessoa muda radicalmente sua postura ou vai continuar enriquecendo a indústria do concurso. A verdade é a oposta. Quem passa em um concurso, geralmente passa em vários ou fica perto de passar em vários. Não existe a fada madrinha dos concursos, que vai fazer alguém, de repente, passar em uma prova depois de 20 reprovações longe da nota de corte. 

Mas, você se perguntaria, parar para fazer o que? Ser desempregado? Afinal, hoje não há advogados desempregados. Todo mundo que está desempregado está “estudando para concursos”. E é claro que é melhor dizer à família e aos amigos que se está estudando para concursos. Mas, se você está na situação do parágrafo anterior, essa opção só vai prolongar seu sofrimento e suas despesas, com remotas chances de aprovação. É melhor encarar a vida de frente de uma vez, por mais difícil que seja. 

Outra questão, que vale para quem já tem um cargo e está estudando para outro é verificar se vale o sacrifício. Não é se contentar, é estar satisfeito. Vejo muita gente que já ocupa um cargo, por exemplo, de analista, mas sofre porque o cargo que idealizou ocupar quando era aluno era de juiz. Será que esse sofrimento vale à pena? Será que não há outros campos da sua vida em que você possa ser feliz sem alcançar esse cargo? Se você lida bem com isso, excelente, acho até que essa situação (trabalhar e estudar) é a melhor, como já escrevi aqui. Mas, se você está sofrendo, não seria o caso de pensar se não é melhor ser feliz com o cargo que tem do que passar de novo pela maratona do concurso? 

Enfim, a dor é necessária, mas o sofrimento tem que ser opcional. Se o sofrimento está te fazendo mal, pare. E isso não significa necessariamente parar para sempre. Tire um ano (ou um semestre) sabático. Vá fazer outra coisa. Se você precisa de dinheiro, vá advogar ou exercer alguma outra profissão. Se não, pense em algo mais prazeroso. Às vezes, você se descobre. Há inúmeros casos de pessoas que encontraram seu verdadeiro caminho por acaso, quando abandonaram (ou foram demitidos) a carreira que sempre quiseram. Conheço uma estilista nacionalmente famosa que é formada em direito e estudava para concursos. Resolveu parar e achou o seu caminho. Esse pode ser o seu caso. Se, depois desse tempo, você se sentir melhor, volte a estudar. Os concursos estarão lá, do mesmo jeito que estavam. 

Embora muita gente pense assim, ninguém é melhor do que ninguém porque passou em um concurso público. A aprovação pode ser simplesmente o resultado acidental de uma pessoa ter características mentais inatas que são valorizadas (às vezes, injustamente) no concurso. Se, por acaso, o modo de seleção para o cargo fosse outro, aquela pessoa não passaria. Ter um determinado cargo público não fará de você uma pessoa melhor, nem mais feliz.

A mensagem que quero deixar é: nenhuma aprovação vale o preço de sua saúde, nem física, nem mental. É preferível ser honesto com você mesmo e dizer “não sirvo para esse negócio de concurso” do que se impor um sofrimento que, além de ter poucas chances de ser bem sucedido, pode trazer consequências graves. Existe vida além do sonho do concurso público. Existe vida além do pesadelo do concurso público.

35 comentários:

  1. Concordo. Se a rotina de estudos só faz mal à pessoa, é hora de repensar mesmo. Entretanto, quanto a atingir um objetivo, acredito que (quase) nada é impossível.
    Recomendo que assistam ao filme "A Condenação", que conta o caso real de Betty Anne Waters, que nem tinha concluído o ensino médio quando decide se tornar advogada (nos EUA, onde se formar em Direito não é nada fácil) para tirar o irmão, injustamente condenado, da cadeia.

    ResponderExcluir
  2. Estudei Direito em uma das melhores universidades do Brasil. Estudo há 4 anos. Nunca consegui passar mais de 6 horas estudando.

    Meu desempenho em concursos é pífio.

    Realmente: acho que é a hora de parar. Estou decidido.

    Obrigado Dr. Acho que ainda há tempo de encontrar algo que eu possa ser bem sucedido.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro Luis,
      agradeço a manifestação sincera e igualmente corajosa. Fico triste pela sua situação, mas posso dizer que acredito sinceramente que existe mesmo vida para além dos concursos. Tenho certeza de que se você decidir mesmo parar há de encontrar outra coisa que o satisfaça.
      Conte sempre com a minha ajuda. Abraço!

      Excluir
    2. Caro Edilson

      Eu tenho hoje prazer em estudar, mas apesar dos 4 anos em que voltei a estudar, no máximo fiquei na fila de espera lá atrás em dois concursos. Só que há aí um adendo, pois eu jamais estudei de forma correta e jamais utilizei metodologia alguma. Nunca me ative a ideia de estudar com foco em um concurso bem antes de sair seu edital. Somente após 2014 foi que comecei a fazer exercícios de provas anteriores, enfim, tenho hoje à convicção de que sempre fiz errado. Hoje tenho convicção de que posso alcançar vôos mais altos, que 2015 foi um marco para mim onde descobri o valor de estratégias e no momento atual consigo estudar 2 horas e meia toda noite e 1 hora ao amanhecer, além sete horas ao sábado e 3 aos domingos, quando encerro a jornada semanal e parto para o lazer em família.

      Detalhe, durante o dia, trabalho como advogado.

      Assim, concordo com o seu texto, acho que muitos correm para os concursos como uma forma de saída e não como um objetivo. Eu, acredito que posso alcançar o que eu quero, agora do modo correto, apesar dos insucessos anteriores.

      Forte abraço

      Excluir
  3. Muito bom o texto! Vale muito uma reflexão..

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. Ao iniciar o texto, achei que o Sr. fosse parar de postar no blog.
    Ufaa!!! Bem melhor assim!!
    Parabéns pela coragem, querido.

    ResponderExcluir
  6. Concordo Dr Edilson. Acredito que boa parte dos concursos funciona assim:

    1- Prova preliminar: conhecimento literal das leis e posicionamentos jurisprudenciais. Privilegia quem tem excelente memória. Mesmo para os mais dotados, dada a quantidade maciça de informações, é quase impossível lembrar de tudo.

    2- Prova dissertativa: conhecimento da lei, doutrina e jurisprudência. Privilegia a inteligência linguística. O espaço para racionício jurídico é limitado visto que aa banca examinadora "espera" que o candidado se reporte a determinados dispositivos legais ou a argumentos deste ou daquele doutrinador.

    3- Prova oral: Novamente, inteligência linguística alida à boa memória. Prevalece a atitude do candidato, capacidade argumentativa, oratória e algum espaço para improvisação. A banca examinadora tenta surpreender o examinando para testar suas reações.

    Para ser sincero, mesmo para os que têm tais habilidades desenvolvidas, a prova é difícil. Foi feita para extrair tudo o que o candidato tem para oferecer em termos de conhecimento.

    Então o melhor é não mentir para si mesmo. Existem outros caminhos, outras possibilidade para além dos concursos públicos. Estudar sem um mínimo de tato para a coisa pode até conduzir à vitória, mas a que custo? Estudar demanda muito mais do que dinheiro. Exige tempo, o que qualquer pessoa com bom senso não se pode dar ao luxo de desperdiçar.

    Parabéns pelo post! É realista, corajoso e, sobretudo, sincero!

    E aos que, como eu, ainda persistem, vamos à luta!

    ResponderExcluir
  7. 6 questões abaixo da nota de corte nos três primeiros concursos de alto nível (defensor público e promotor de justiça) podem ser considerados como perto de passar? Posso continuar tentando?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro Paulo,
      É um resultado muito bom. Pelo menos por enquanto, você está muito longe de poder pensar em desistir.
      Um abraço e boa sorte!

      Excluir
  8. Prof. Edilson,
    O post é incrivelmente corajoso.
    Penso que algumas pessoas deixarão de desperdiçar anos preciosos de juventude e de vida após sua leitura.
    Aos leitores, uma advertência: leiam com atenção. Ter dificuldades para passar é normal, pois o volume de matéria exigido nos concursos mais rigorosos é imenso.
    Outra coisa bem diferente, como dito no post, é ficar constantemente longe da aprovação.
    Um abraço!
    André

    ResponderExcluir
  9. Prezado professor Edilson,

    Já acompanho o seu blog há algum tempo. Antes, o admirava muito pelo teor de suas postagens bem ponderadas, e agora mais ainda!

    Desculpe-me pela expressão, mas o senhor "deu a real" no assunto...Proferiu não o discurso pronto para agradar alguns, mas sim o que precisava ser dito!

    A grande verdade é que, em geral, os professores de cursinho não tocam no assunto, pois eles vendem ilusões. Mas a grande verdade é que concurso não é pra todo mundo, até porque, como é sabido, não há vagas para todos.

    Parabéns pela sinceridade!

    ResponderExcluir
  10. Sensacional o texto Dr.Edilson !!!

    Mas tenho uma dúvida sobre um ponto específico: "E quando desistir não pode ser uma opção?"

    Vivo essa situação...

    Já tentei de tudo (ou quase tudo), trabalhei no shopping, panfletei, vendi, advoguei, virei empresário, professor, juiz leigo, enfim, por uma ou outra razão nada disso deu certo, e a única luz que me resta é o concurso.

    Infelizmente não me resta outra opção, é passar ou passar...

    Algo que é pouco, ou superficialmente abordado pelos "gurus" dos concursos é sobre a dificuldade financeira e os reflexos na preparação. Pois da forma que escrevem passam a ideia de que a falta de dinheiro é algo com uma menor importância, que pode ser facilmente superada, seja por um "paitrocínio" ou por um outro serviço.

    No meu caso, acumulo dívidas astronômicas, e trabalho 03 turnos por dia, saio de casa as 7:00 e volto somente após as 23:30. Tenho família para sustentar, e não posso contar com a ajuda de meus pais.

    Estudo somente 01 ou 02 horas por dia, mas o rendimento é muito baixo.

    Nunca passei em um concurso, ou fiquei próximo de passar, somente fui aprovado em testes seletivos, quem tem sido a minha tábua de salvação, do contrário passaria fome (e não falo no sentido figurado).

    Em minhas orações, não peço a Deus pela aprovação (seria muito egoísmo), mas sim forças para não desistir. E é exatamente estas que estão me faltando.

    Me ajude!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pô, Concurseiro Londrinense, nunca vi, até hoje, um depoimento sobre dificuldades quanto à preparação para concursos que espelhe com tamanha fidedignidade o caráter seletivo dos concursos públicos,sobre aqueles destinados às carreiras de estado. Pra mim, que trabalho apenas 7 h por dia e não tenho filhos foi "uma tapa com mão de veludo". Espero, sinceramente, que o professor Edilson, do alto da sua experiência, tenha uma palavra mais abalizada para te ofertar. Da minha parte, tenho a humilde opinião que vc precisará encontrar um jeito de reduzir essa sua jornada de trabalho, seja mediante um novo emprego, seja cortando, ao máximo, qualquer despesa extra do seu núcleo familiar. No mais, desejo muito boa sorte a vc e que vc faça a escolha certa. Abração. (by Anderson Danillo)

      Excluir
    2. Muito bem colocado, obrigado pelo comentário. Vou procurar escrever sobre isso assim que puder. Por enquanto, procure não deixar que essa pressão te esmague. Use-a como estímulo para a aprovação. Boa sorte!

      Excluir
  11. Caro Edilson,

    Como sempre, seu post é lúcido e abre espaço para reflexões. Seu post aborda, principalmente, um campo mais subjetivo (i.e. o sacrifício para estudar e, consequentemente, adquirir o conhecimento necessário para ir avançando nas provas).

    Embora saiba que não há uma resposta exata e muito menos que sirva para todos, gostaria, se possível, que o Sr. abordasse sobre qual o tempo que o Sr. considera que aquele que só estuda para concursos (ex. magistratura, MP, defensoria, advocacia pública) poderia/deveria começar a pensar em seguir outro caminho. 2, 3, 5, 6 anos?
    Abs,
    Tiago

    ResponderExcluir
  12. Prezado Edilson,
    estive contigo no curso de preparação para prova oral da AGU no sábado passado, o qual me foi de grande valia.
    aproveito o ensejo para parabenizar pela lúcidez deste artigo.
    abraço
    Luciano Godoi

    ResponderExcluir
  13. Parabéns pelo texto!
    Só gostaria de acrescentar que o fator sorte também deve ser levado em consideração e não menosprezado como os "livros de autoajuda" fazem. Dizem que vc tem que lutar pra vencer mesmo com a sorte em seu desfavor. Eu aprendi que sem sorte vc pode até dar o sangue, mas nunca vai vencer.
    Admiro quem tem coragem de decidir parar. Ficar na encruzilhada acaba sendo mais uma pedra no caminho. A única coisa que não me fez desistir ainda é que minha situação atual ($) não me permite parar e ficar por aqui.
    Só de escrever já me dá um nó na garganta... a vida tem um humor negro...
    Luciene

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Luciene,
      concordo contigo com o "fator" sorte!
      o nó na garganta é sinal de coragem e de enfrentamento!
      bons estudos
      Luciano Godoi

      Excluir
  14. Excelente reflexao, mas acho que merece ser um pouco mais aprofundada. A linha que separa a dor do sofrimento é tenue. Estudar para concursos é como trabalhar, é uma atividade que deve ser realizada com muita seriedade, com compromisso e com muita dedicacao, ou seja, ou voce estuda bem estudado ou voce é "demitido" (nao aprovado). Entao se voce estipula metas e percebe que repetidamente nao consegue cumpri-las imagino que seja um alerta de que algo vai errado, podendo ter duas solucoes: resolver o que está atrapalhando ou mudar de objetivo (deixar de estudar para concursos, pois voce nao consegue realmente se dedicar a algo que nao quer).
    Assim concurseiros que acabaram de sair da faculdade devem estipular prazos, conforme os cargos almejados. Por exemplo, caso queira estudar para o MP (concurso de nivel alto) antes de avaliar preciptadamente se é capaz ou nao será necessário um tempo mínimo de preparacao para poder realizar provas e medir seu desempenho. Corrija-me se estiver errado Edilson, mas muitos dos aprovados nos concursos mais concorridos se fizessem provas assim que sairam da universidade teriam um desempenho baixo, no entanto, após 2 anos de muita dedicacao, por exemplo, torna-se possível verificar se a pessoa deve continuar ou nao.

    ResponderExcluir
  15. Caro Edilson

    Nunca vi um post mais interessante nesse mundo blogosfera.

    Suas ponderações foram extremamente cuidadosas e, ao mesmo tempo, realistas.

    Também acredito que você deve encontrar satisfação no que faz, sob pena de sua vida se tornar uma amargura para você e para os que o cercam.

    Eu ainda não desisti totalmente, fiquei por uma dissertação na subjetiva do MPF no 25º, e por uma questão na objetiva do 26º.

    Apesar de ter conseguido chegar tão longe, mesmo trabalhando muito (sou da AGU), decidi repensar meus conceitos. Vale mesmo à pena, todo esse sacrifício? passar dias e dias trancada, sem visitar minha família, sem dar atenção ao meu esposo?

    Enfim, de fato, nem sei se farei o 27º.

    O sonho continua. A disposição, não.

    Abraços.

    ResponderExcluir
  16. Ao ler esse texto, senti como se estivesse levando um tapa com luva de pelica. Não do senhor, mas da vida.

    Tenho 25 anos, e sou formada há 2 anos e meio. Apesar de nunca ter sido uma aluna exemplar e extremamente dedicada, sempre tive o sonho de ingressar no Ministério Público Estadual, mesmo antes de entrar na faculdade. Durante quase toda a graduação estagiei na instituição, inclusive de forma voluntária, e a paixão apenas se confirmou.

    Ao me formar, decidi perseguir o referido sonho, e há 2 anos me dedico exclusivamente a ele. Entretanto, não de forma satisfatória. Estudei pouco, de forma errada e não obtive nenhum resultado significativo (a não ser "quase passar" no último concurso de escrevente do TJSP - o que não é "passar"). Minha vida tem sido exatamente o sofrimento relatado pelo sr. no texto, o que difere bastante da dor´necessária e inerente aos concursos públicos.

    Pensei em desistir inúmeras vezes, mas todas as vezes algo me impede, me faz repensar meus erros, refazer os planos. Seria vocação ou teimosia?

    Foram muitas as "cabeçadas", e agora me encontro em um novo início, com mais foco e com a esperança de que um planejamento mais direcionado me levará à preparação adequada. Como disse o amigo acima, peço a Deus não que me dê a aprovação, mas que me dê forças para não desistir e para ter determinação para fazer a coisa certa.

    Entretanto, a dúvida permanece: seria eu a tenista iludida do seu texto? Esse é o meu maior medo!

    Abraços!!

    ResponderExcluir
  17. Simplesmente sensacional! Se esse texto tivesse sido escrito há uns dois anos atrás, diria que ele foi escrito pra mim...rs
    Parabéns pela coragem professor!!

    ResponderExcluir
  18. Maneiro! Difícil é saber avaliar esse momento de parar. Tem que ter muita coragem e autoconhecimento pra desistir.

    ResponderExcluir
  19. Professor, também estou nessa. Achei perfeito o post.
    Há uma tendência geral e elevada de vários concurseiros e professores vendendo a esperança, é um produto muito bom de ser vendido, mas ninguém mesmo diz qual é o real valor dela que difere de cada um.

    Vejo colegas pouco estudiosos que pensam em Procuradoria da República, Juiz Federal e até analista, mas ainda os vislumbro muito longe de passar. Vai todo mundo como uma boiada, se fulano está continuando também vou continuar.

    A minha turma de direito em uma faculdade federal do Brasil, ninguém após 2 anos de concurso conseguiu passar, nem em concursos menores como técnico.

    Eu ,por exemplo, já tive posições boas como 5º e 6ª posição, mas em concursos pouco concorridos, e de remuneração baixa.

    Essa questão me assombra muito e a tempos, e não vejo isso ser discutido como deveria. Ri muito quando um professor do Damásio disse que quem estuda 6 a 8 horas por dia, passa em média em 2 anos. Isso não existe, é possível, mas não é média nenhuma.

    Enfim agradeço pelo post clarificador. Estou advogando também, ainda não sei se esse é o melhor caminho, pq advogado está sendo muito desvalorizado também, mas é outra alternativa. A primeira que der certo para mim com certeza eu vou me estabelecer, sem vergonha nenhuma de desistir.

    O importante é ser feliz. Sou solteiro, moro com meus pais e tenho 26 anos. Penso que quando chegar a 30, se estiver estudando para concurso, talvez esteja do mesmo jeito, e esse com certeza nunca foi meu sonho.

    Obrigado

    ResponderExcluir
  20. Professor Vitorelli: Achei o texto de uma utilidade e uma franqueza dignas de uma conversa sincera com seu melhor amigo...

    Também compartilho a visão de que as pessoas não possuem capacidades iguais e que as habilidades de algumas pessoas simplesmente não se encaixam naquilo que é exigido no processo seletivo de concursos...

    Gênios indiscutíveis da humanidade como da Vinci, Tchaikovsky, Newton, Michelangelo e tantos outros poderiam não passar num concurso público e nem por isso deixariam de ser gênios em suas habilidades...

    A genialidade é específica e sempre somos "burros" em vários setores do conhecimento...

    Portanto, se a pessoa tentar sem sucesso passar em concursos de altíssimo nível é necessário ter a humildade de baixar o "sarrafo" para um salto em que se possível transpor. Mas acredito que em dado momento a menos que a pessoas sofra de sérias restrições cognitivas e dificuldades de aprendizado incontornáveis você será aprovado em um concurso menos exigente e é consenso... A aprovação no pior concurso é melhor que muitos melhores empregos privados do mesmo nível... As vantagens financeiras e pessoais dos concursos não inegáveis e seria desnecessário elenca-las como elemento de convencimento para a não desistência do sonho de aprovação...

    Portanto: se já baixou o "sarrafo" ao menor nível de cargo aceitável e já tentou pelo menos cinco a dez tentativas neste menor nível então realmente é necessário começar a avaliar a hora de parar... Mas sinceramente já tive muitas provas que provavelmente o candidato vai acabar sendo aprovado em um concurso antes de ser derrotado por um deles...

    Meu nome é André Rocha. Fui aprovados com boas colocações em alguns concursos medianos considerados bons e sonho trabalhar no MPF como procurador. Nunca tentei o MPF mas estudo entre pausas há cinco anos e não pretendo desistir antes de quebrar a cara pelo menos cinco vezes... Só depois disso e de perceber que estou muito longe da aprovação aceitarei a tese ora defendida... mas não sem lutar até o fim...
    PS- Não passar num concurso não exime quem quer que seja da necessidade de ser útil e bom em alguma atividade para ter uma vida mais tranquila pelo menos financeiramente... Portanto, com concurso ou sem a vida sempre irá cobrar esforço constante...

    ResponderExcluir
  21. Professor Vitorelli, eu preciso muito de um conselho seu!
    A algum tempo que acompanho seu blog, e sempre encontro textos muito bons e inspiradores.
    Tenho 25 anos, sou casada e recém formada, fui aprovada no primeiro exame da ordem que prestei (e assim considero, pois prestei um exame no 9º semestre e reprovei na primeira fase, porque tive uma exaqueca muito forte na prova).
    Esperava advogar, mas sinto que não tenho vocação para a advocacia privada. E ainda com o salário que oferecem, estou totalmente desmotivada, já que durante a graduação minha renda era maior quando trabalhava em multinacionais.
    Resolvi inovar. Após alguns anos como empregada na iniciativa privada, estágios no TRT e num escritório de advocacia pequeno, meu sonho voltou a falar mais alto: a magistratura.
    Jamais imaginei ter a possibilidade de estudar em tempo integral, pois durante a faculdade precisava trabalhar para pagar o curso. Por isso, a impossibilidade de me dedicar tanto quanto gostaria ao Direito, mesmo porque casei-me quando cursava o segundo ano.
    Resumindo... eu sempre me avalio muito, e se não fosse convencida pelo meu marido, jamais teria optado sair do meu trabalho, e buscar o concurso público, mesmo porque, acredito que não tenho experiência jurídica suficiente para enfrentar um concurso de alto nível.
    Então lhe pergunto, o quanto vale realmente a experiência na advocacia? Seria possível alcançar a aprovação em um concurso de alto nível, somente através de estudos com livros e cursos?
    Essa é minha grande dúvida! E ainda, às vezes me sinto inferior a qualquer um que teve a possibilidade de estagiar em procuradorias, ministério público e após advogar em grandes escritórios. Tenho a impressão de que terei muitas dificuldades por não saber muito sobre a prática na advocacia.
    Mas ao mesmo tempo, vejo que existem vários concursados que se dedicaram exclusivamente aos estudos, ou abandonaram a advocacia e lograram êxito, inclusive nos concursos de alta complexidade (magistratura, procuradorias, defensoria...etc).
    A minha insegurança é grande, mas ainda pretendo arriscar, de modo que, sinto como se estivesse retrocedendo alguns degraus para chegar ao topo.
    Como saber se eu tenho a vocação? Como foi com você?
    Regiane.

    ResponderExcluir
  22. O texto parece ser bem depressivo e é um choque de realidade. Mas me fez perceber todo o tempo que desperdiço sem estudar, que pode ser melhor aproveitado, e que devo estudar mais e com melhor qualidade e técnica. Um dia chego lá, já passei bem perto... agora é continuar nessa luta! Não é fácil... Mas vamos lá! Não é a hora de parar!

    ResponderExcluir
  23. Sou concurseiro há apenas 1 ano. Acho q decidi tomar essa decisão de enveredar pelo concurso dos meus sonhos (diplomacia) por 2 motivos: um material e outro psicológico. Primeiramente eu recebi de presente do meu tio a oferta de q ele pagaria todas as matérias regulares do melhor curso do país para ser aprovado num concurso q eu pensava mto em seguir dos 16 aos 21, mas cuja ideia esfriou, graças à redução de vagas e às limitações financeiras dos meus pais. O 2° motivo pelo qual eu decidi fazer esse concurso é pq eu pelo menos deveria tentar, e foi isso que minha mãe tanto me forçou a repensar. Tentar 1 vez, dar meu máximo e ver se eu me motivaria no meio do caminho. Eu trabalhava numa consultoria na época. Eu não era mto feliz no meu emprego, mas eu era independente, tinha um bom salário e oportunidade de crescer na empresa. Larguei tudo para prestar o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, um dos mais difíceis do Brasil. Ao meu favor eu tinha uma graduação que me ajudava muito no concurso, interesse por algumas matérias da prova e um investimento forte do meu tio por trás. Mas nunca fui chegado a tirar um sábado a noite p/ler um livro, nunca fui o aluno genial da turma, apesar de não ser medíocre, e, também, nunca fui um intelectual erudito. Entrei na onda do concurso em junho de 2014. Fiz mais de 50 simulados pesados, questões de provas passadas, estudei como nunca tinha estudado antes. Mas também comecei a ficar afastado dos amigos, eu não tinha dinheiro e toda vez que eu saia, ficava com um pé atrás toda hora que abria a carteira pra pedir um novo drink na balada. Apesar d amar a possibilidade d me tornar um diplomata, não acho que compensa perder tantos anos da minha vida e abdicar de todas as outras coisas bacanas que eu gosto, como jovem, para tornar minha vida refém de uma exigência moral. Porque dps de um tempo o q acontece conosco é que a motivação, a alegria, começa a dar espaço para os desgastes, o isolamento, a depressão, o marasmo sexual e afetivo (sou um jovem de 25 anos solteiro e vejo todos meus amigos com namoradas, isso doi muito). Comecei a usar, em doses maciças, ritalina para varar madrugadas estudando. E quando eu ficava esgotado mentalmente, eu precisava tomar rivotril para conseguir dormir. Comecei a me tornar dependente de remédios e comecei a beber sozinho em casa, coisa que eu nunca fazia. Minha depressão piorou muito de abril a maio desse ano, tive crises de choro e ideações suicidas. Perdi cabelo por causa da ritalina, engordei muito devido ao sedentarismo, sendo que antes eu era todo fortinho, me sentia meio fanfarrão, e era galanteador com as meninas, agora me sinto um eremita, um daqueles monstrinhos da caverna do filme Abismo do Medo, que não podem ver a luz do dia. Eu sabia que, apesar de todo o tempo dedicado, longe do trabalho, dos amigos, afetando minha saúde e meu bolso, eu não conseguiria passar de primeira. E ficar nesse ritmo por mais um ano irá definitivamente me levar a problemas graves de saúde mental e física. Já sinto que meu coração está sobrecarregado de anfetaminas para estudar. Poxa, como doi escolher um sonho tão difícil, choro muito as vezes de imaginar o quanto doi ter que desistir e também como é insuportável manter-se nessa trilha por muito tempo sem trabalhar. Falta um mês para minha prova. Sei que não vai acontecer esse ano, mas acho que o sofrimento não foi a toa. Se Deus quiser, eu vou passar dessa pra outra melhor.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito bom o seu relato, mas acredito que você tem de levar em conta algumas considerações: 1º o concurso que você estuda é o mais difícil do Brasil sem dúvidas, tendo em vista que ocorre todos os anos e a bibliografia já está "manjada" ou seja, a teoria da fila é totalmente válida 2º quem está na chuva vai se molhar.... Frase meio idiota, mas resume um pouco a sua situação, afinal, você realmente pensou que um cara que nunca teve afinidade com livros vá passar de primeira em uma prova que requer a leitura de milhares deles?

      Abraço, continue firme e diminua o uso dos venenos.

      Excluir
  24. Com a dor, eu cresci e pelo menos posso ficar tranqüilo de que eu tentei, eu fiz a boa luta e saí honrado dessa guerra cruel que é o concurso. Uma hora vc adquire esperança, outra hora vc tem um crash emocional, meio que cai na real. Mas eu agradeço muito ao dono desse blog por poder me permitir expor o que eu sinto, mesmo que na condição de anonimato, porque se abrir emocionalmente tira um peso doloroso da nossas costas. Se eu pudesse dar uma dica para concurseiro que estão começando e já pensando em desistir: façam a prova uma vez, pelo menos uma vez. Depois, se não forem bem, partam para outra. Não abram mão, por preconceito, de pedir ajuda psicológica quando a depressão pegar pesado. O emocional pesa muito nessa jornada, o concurso castiga absurdamente o psicológico, e se vc subestimar isso, pode acabar como eu, numa situação atual muito ruim. Estou com problemas de saúde que adquiri em um ano de concurso: depressão aguda, ansiedade, pressão alta, sobrepeso e etc. Não pensem que não há um preço a se pagar para passar. Os concursos mais difíceis requerem uma jornada muito longa e dolorosíssima. Para alguns é mais fácil, para outros o sofrimento é grande. E não se culpem por terem desistido. Acreditem: a imensa maioria não passa. Mas nenhum site de concursos conta a estória dos derrotados, é que nem nos filmes de guerra: você só vê a estória de quem ganhou, ninguém quer saber do perdedor. Concluindo, porque tomei muita parte dos leitores com esse texto enorme. Peço desculpas pela falta de objetividade pq não consigo encontrar poucas palavras para abrir meu coração num post tão sincero quanto esse. Agradeço ao dono do blog por abrir esse espaço com palavras de sinceridade, mesmo que dolorosas, e com a oportunidade que nos fornece de expor nossas feridas, ainda que no anonimato. Boa jornada para o dono dessa página e aos amigos que tiveram tempo de ler tudo. Abraços a todos.

    ResponderExcluir
  25. Parabéns pela honestidade do texto, honestidade muito bem-vinda ao "mundo" dos concurseiros.
    Passar em um concurso muitas vezes deixa a ser algo pontual e vira um estilo de vida (bem besta, aliás)

    Eu particularmente estava precisando ler isto, já estou nessa vidinha faz muitos anos, a custo de muitos gastos em cursos e farmácias, já passei em vários concursos, tenho um cargo bom, mas sempre pensando em melhorar e melhorar e melhorar... Melhorar o quê? kkk, enquanto isso a vida passa.

    ResponderExcluir
  26. Tenho 22 anos e estou formada a seis meses em direito, sempre quis passar num concurso e ter a estabilidade. Há pouco tempo peguei a carteira da OAB, mas não queria advogar para só me dedicar aos concursos, apesar de precisar de dinheiro pra tentar os concursos em outros estados, comprar livros, cursinho. Estudo o dia todinho, mas esqueço com muita facilidade. Já olhei vários editais de concurso, mas não consigo escolher um cargo para me dedicar, aí decidi estudar para analista e técnico de tribunais. Não consigo controlar a ansiedade, os dias anteriores a prova são muito desgastantes pra mim, não consigo dormir, choro e me estresso demais, sem falar que tenho muita dificuldade em distribuir meus horários de estudo. As vezes me dá vontade de desistir, apesar de querer muito passar em um concurso. Professor, se o senhor puder me dá uma orientaçaõ, por favor!!!

    ResponderExcluir
  27. DISSE TUDO! Imagine se todas as pessoas inventassem de prestar concurso público? O que seriam das empresas privadas? Ninguém é obrigado a querer isso e ninguém é obrigado a insistir nisso. O problema muitas vezes está na expectativa das pessoas ao nosso redor, principalmente os pais. Eu pelo menos estou vivendo uma fase dramática na minha vida porque há mais ou menos 1 ano descobri que não quero mais estudar para concurso e meus pais simplesmente não entendem, eles insistem para que eu continue nessa vida e não me deixam tentar alçar novos voos. Eu fiz a grande besteira de voltar a morar com eles depois de formada e acabei colocando-os na zona de conforto, de ter a "filhinha" de volta. E agora que eu quero ir embora de novo, eles não deixam, e ficam criando barreiras para os caminhos que eu quero seguir e sempre me induzindo aos concursos.

    ResponderExcluir