quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O desafio da elaboração de resumos

Se tem uma coisa que sempre me interessou foi a dificuldade na criação e adoção de um método de fixação para os estudos. Eu me impressiono como, mesmo considerando que tenho uma boa memória, não lembro absolutamente mais nada de direito de família e sucessões, matérias que, venhamos e convenhamos, são muito chatas, mas que eu estudei bastante na faculdade. 

Há, na minha visão, 3 possíveis métodos de fixação que já abordei aqui. 

1 - A releitura dos materiais, que me parece praticamente inviável de ser adotada para concursos, dada a extensão do material;

2 - O sublinhamento dos livros e releitura apenas das partes sublinhadas. Há várias técnicas para isso, inclusive com o uso de várias cores, discutidas por alguns professores na internet. É uma técnica boa, mas com o risco de que, como sublinhar é muito fácil, você acabe terminando com uma parte substancial do livro para reler depois; 

3 - Elaborar resumos.

Eu já disse que os resumos são a técnica que mais me agrada. Embora lentos e dolorosos para elaborar, matéria resumida é matéria lembrada. Você dificilmente vai se esquecer daquilo que resumiu, porque seu cérebro precisa processar a informação e transformá-la em um escrito de sua autoria. Isso faz com que a informação seja internalizada e compreendida antes de você passar adiante. 

O lado ruim, certamente, é a demora e o trabalho que dá para elaborar o resumo. Como eu costumo valorizar mais a qualidade do que a quantidade do estudo, acho que isso é um preço interessante a se pagar. Aqui vão algumas dicas para melhorar o seu desempenho, caso a elaboração de resumos também seja a sua preferência: 

1 - Comece pelas matérias principais: resumos são demorados. Se você começar a estudar por direito empresarial, vai levar muito tempo até cobrir as matérias mais cobradas na maioria dos concursos. Se você está prestando, por exemplo, PFN, deve começar por direito tributário, assim, poderá cobrir o maior número de questões no menor tempo. 

2 - Pense bem se vale à pena: resumir é doloroso. Será que é válido resumir direito agrário? Provavelmente não. Mas essa é uma decisão que depende do seu grau de fixação com outros métodos de estudo. Se ele for baixo, então o resumo será válido.

3 - Sublinhe primeiro, resuma depois: com o tempo, eu cheguei à conclusão de que se você lê um segmento inteiro do livro antes de fazer o resumo, a compreensão global da matéria facilita a sua percepção de quais são os pontos principais, o que reduz o tamanho e a dificuldade na elaboração do resumo. Assim, o ideal é que você leia um capítulo, ou alguns subitens de um capítulo, sublinhando o que leu, para depois elaborar o resumo, apenas com base no sublinhado. Pode parecer um retrabalho, mas não é. Você vai escrever menos.

4 - Seja sucinto: o pior resumo é o resumo gigante. Se você não consegue uma média de, pelo menos, 1 página de resumo para 10 de texto, seu resumo vai ficar grande demais. Lembre-se de que você não está escrevendo um livro. O resumo só tem que fazer sentido para você mesmo. Não escreva nada que você acha que se lembraria de qualquer jeito, seja em razão de sua experiência prévia, do conhecimento acumulado ou porque você considera aquela informação óbvia. Essa é a dica mais difícil e só com o tempo você vai conseguir colocá-la em prática com mais desenvoltura.

5 - Escreva à mão: essa dica é polêmica e eu já a havia dado aqui no blog há algum tempo. Eu sempre achei que escrever à mão é melhor que fazer resumos digitados. Tenho a impressão de que o movimento das mãos para desenhar as letras é positivo para ativar o cérebro, mais do que a digitação. Pois bem, recentemente, pesquisadores da Universidade de Princeton concluíram que quem escreve à mão aprende mais e melhor. Vejam só:

"pesquisa de Pam Mueller, da Universidade de Princeton (EUA), e Daniel Oppenheimer, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA), mostra que quem toma nota à mão aprende mais e melhor. Para chegar a esse resultado, eles dividiram estudantes em dois grupos: os que anotavam à mão e os que o faziam com laptops. Ao final, os dois grupos – que assistiram a aulas sobre biologia, religião, bioquímica, matemática, economia etc. – foram julgados nos quesitos memória, entendimento, capacidade de síntese e de generalização.
Os voluntários que anotaram à mão – apesar de terem perdido no que diz respeito à quantidade de dados registrada – acabaram se saindo melhor nos itens acima. Os resultados estão em Psychological Science. E o início do título é criativo: ‘A caneta é mais poderosa que o teclado’.
Fazer sem pensar
Por quê? Mueller e Oppenheimer acreditam que escrever à mão requer um processo cognitivo distinto do envolvido em teclar. Segundo eles, quem anota manualmente tem que ouvir, digerir e resumir a informação, pois não se tem a velocidade obtida ao se datilografar. E assim se captura a essência do conteúdo, obrigando o cérebro a se esforçar, o que aumentaria a compreensão e a retenção dos dados.
Ao se teclar, o cérebro não processaria o significado da informação, pois a velocidade da datilografia não deixaria muito tempo para se elucubrar sobre o conteúdo daquilo que se anota. Ou seja, teclar é algo, digamos, robotizado. Ou, como se diz popularmente, ‘fazer sem pensar’, ‘ligar no automático". 

Ainda desconfiado? Pesquisadores da Noruega chegaram à mesma conclusão, conforme texto disponível em http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,escrever-a-mao-melhora-o-processo-de-aprendizagem-aponta-estudo,668363

Então, meus caros, o negócio é deixar o computador para lá, aceitar que o resumo vai ficar um pouquinho zoneado, mas dar preferência ao bom e velho manuscrito.

14 comentários:

  1. Caro Edilson, ninguém disse que seria fácil. Mãos à obra....

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  2. Como faço para inserir em resumo manuscrito uma informação adquirida em outras oportunidades e relevantes ao resumo já feito? Obrigado

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    1. Uma boa ideia é colar um post it com a nova informação.

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  3. Sempre gostei de anotar manualmente, excelente orientação!

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  4. Muito bom. Durante a vida acadêmica, sempre resumi tudo à mão o que os professores explanavam. Nos estudos para concursos públicos fiz e faço isso também. É um caminhar de tartaruga, aparentemente, mas economiza imensamente quanto aos tempo e frequências de revisões. Estudei algumas matérias jurídicas antes mesmo de ingressar no curso de Direito, sempre transcrevendo à mão um resumo do que lia. O resultado disso é que ainda, anos depois,, lembro de cor muito do que estudei àquela época. VALE A PENA.

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  5. Edilson, sempre relutei, mas depois de muito tempo de "pseudo-estudo" em vão, estou fazendo exatamente isso que você falou. Eu leio primeiro o capítulo, sublinhando, depois repasso na cabeça o que li e somente após, resumo à mão - com minhas palavras- , o que estudei. Resumo, fazendo mapas mentais, com remissões para anotações - quando a matéria exigir algo mais "discursivo" ou "detalhado". Sinto que, apesar de mais trabalhoso, está fazendo um enorme efeito, principalmente na compreensão geral da matéria.
    Muito obrigado pelas dicas.

    Um forte abraço.

    Gustavo.

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  6. Excelente texto, professor Vitorelli.

    Não esqueçam do bom "Manual Caseiro", que dinamiza consideravelmente o processo de aprendizagem, tendo em vista que é possível reunir em um só material diferentes fontes de conteúdo (livros, videoaulas, apontamentos, dentre outros). É certo que esse tipo de compilação de ideias não exige do estudante a capacidade de síntese, de organização e raciocínio que a elaboração de resumos proporciona. Na realidade são métodos de estudos diferentes. Porém, o conhecimento jurídico registrado ao longos dos meses ou anos nessa compilação pessoal, provavelmente, será valioso. Como nunca fui adeptos aos resumos, resolvi compensar resolvendo questões discursivas, afinal de contas, fazê-las exige também um certo grau de sistematização de ideias e um conhecimento mais profundo da matéria.

    Agora, cuidado para não se autossabotarem. Já ouvi depoimentos por aí de que 90% dos que fazem o resumo não costumam ler depois. Eu gosto de estudar lendo. Lendo 10 mil vezes a mesma coisa se for preciso. Para alguns pode parecer carência de capacidade cognitiva (rsrs). Prefiro acreditar em estilo. Costumo usar caneta marca-texto amarela para tudo e a laranja só para exceção. Quando chega nas semanas que antecedem a prova é só passar o olho nas exceções. Em poucos dias dá pra ler quase tudo. É um estudo interessante, estudar pelas exceções. Obviamente que a revisão de véspera não deve ser feita seguindo só essa fórmula, possivelmente necessitará de mais alguns complementos. É só mais uma opção.

    Estude mais, estude sempre.

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  7. Prezado Professor,
    De fato há razão nas técnicas ensinadas, sempre escrevo a mão, e me causa desconforto trabalhar com processos eletrônicos, porque obviamente não posso sublinhas em um processo de duzentos volumes digitalizado. Então não só é método de estudo como de trabalho, porque a discussão proposta envolve foco e concentração.
    O que aprendi quando fui aprovada para o concurso da instituição onde trabalho hoje e para o concurso de procurador do Bacen.
    E só um parênteses, que repito isso porque prossegui estudando mas minha relação pontuação x estudo foi muito abaixo da minha capacidade pela frustração.
    Ai desisti, e fico escrevendo em cassa sobre hawalla system e lavagem de bitcoin, porque eu gosto...
    E fui trabalhar em um setor administrativo.
    Não sei se vou estudar ou não. Mas falo isso por duas razões: 1) eu aceito que passei no concurso errado, mas não sei estudar porque questiono demais e me perco na matéria. Então passar não seria complicado a nível de conhecimento se eu conseguisse focar. E a dica é focar. Obviamente ninguém vai dizer que o debate interdisciplinar é relevante. Mas eu aceito que eu não sei focar.
    OU não sabia. E ai fica a primeira dica: a técnica do pomodoro. Ajudou a focar. Mas meu foco virou mais acadêmico e menos "preciso passar em outro concurso." E isso aprendi fazendo diversos cursos sobre psicologia, neurolinguística e o incrível lerning how to learn da Universidade de San Diego.
    De acordo com os neurocientistas hoje há consenso que devemos escrever sim, a mão. Até porque escrevemos mais devagar do que digitamos e o processo auxilia na memorização.
    2) sublinhar; eu passei sublinhando e anotando em todos meus livros a vida toda. Eu brinco que eles são personalizados. Mas tentei a técnica proposta e foi muito produtiva. Não devemos sublinhar, e podemos até optar por nãoler em um primeiro momento. Não ler integralmente. Passar os olhos e tentar mentalizar as palavras principais e reconhecer.Depois ler e faer pequenas anotações. Pequenas mesmo. a palavra que remete nos faz lembrar do texto. Se lemos com atenção esta simples lembrança vai ser importante depois para formação da memória difusa (pensante e criativa). Não é proibido sublinhas mas é uma falsa impressão de produtividade. Afinal sublinhamos pensando em outras coisas as vezes. Eu penso que tuo seja relevante então sublinhava tudo.Antes do curso utilizei a técnica do circular a palavra e unir, como em uma melodia (meio lúdica minha ideai, as era isso mesmo), aquelas que são relevantes. Quando usei a técnica de não sublinhar tive que focar.

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  8. continuando...

    e ai há outras dicas que são relevantes, mas cada um tem as suas, mas menciono uma qu eé focar por 25 min, a técnica do pomodoro. Teremos 25 min de estudo e três ou quatro para fazer qq coisa. Não precisa meditar, fazer yoga. Pode ler email, facebook... é a recompensa, que substitui o dopping do metilfenidato (fica a dica: ritalina demais só auxilia a memória focada e a longo prazo causa Parkinson, mas a curto prazo quem tem TDHA terá um médico adequado para receitar o remédio e as doses corretas).
    3) eu decidi parar porque eu cansei, mas eu não confio em livros e por isso eu fiz meus próprios resumos que viraram tratados. Com lei, jurisprudência, doutrina e textos relevantes dos tribunais. Além disso questões, porque fazer questões é mais produtivo que estudar quando já sabemos a matéria ou um pouco dela.
    Mas não reli como o colega mencionou. Nem ia. Eu fiz os resumos e resumi os resumos de 300 a 500 páginas cada matéria (absurdo) a mão. E ai eu parei de estudar as vésperas do concurso do Bacen porque eu tive um problema sério na família.
    4) eu não fiz resumo com CRTL + c, CRTL v, eu escrevi todos eles, exceto s questões. A jurisprudência e alei sempre foram inseridas por comandos "copiar" e "colar", mas eu não parava a té entender. Só que estudava demais.
    De fato e deixei de estudar o básico.
    Decorar e escolher uma doutrina para seguir é impossível. Então fica a dica: resumir é bom, mas optem por um autor, o que a banca escolheu para usar naquele ano. Todo mundo sabe. E resumir é bom para prova objetiva porque já se está preparando material para uma etapa posterior... mas não faria novamente porque fiz só, e foi cansativo.
    Hoje faria o simples: pegar a lei, usar um só autor, e ler os compilador prontos de informativos.
    Mas se o livro é recente a discussão vai constar no livro e isso nos liberta do das ementas e me libertaria dos acórdãos... porque eu já vi muita ementa divergir da fundamentação do acordão.
    OU seja, estudar é simples, o ruim é estudar para o que os concursos cobram.
    Não quero ser a que não estimula, mas o contrário, venjo o que eu fiz errado e sei que fazer certo não é complexo.
    E não adianta decorarar na semana anterior. Tlvz sim apra uma questão, mas eu fui escutando Iolanda para prova do banco Central. Não parecia relevante naquele momento. E naõera e não é meu objetivo de vida passar em outro concurso, mas aprendi que resumos são bons, desde que sejam lidos. Que posos colocar de lado minhas canetas marca texto eos post is que grudava nas paredes, trabalho melhor pegando livro e fixando no que estou lendo, Vou precisar repetir, claro! E ai a importância do calendário. Não adianta repetir sempre o mesmo. Vou repetir uma vezpor semana. E vou me auto tomar a matéria. Mas eu tenho uma dica que parece boba e eu nunca consegui, nem pagando ( porque eu tive um coaching que me deixava divagar e eu terminava em debates jurídicos) implementar ela de forma adequada: allguém para tomar a matéria. Eu tentie meses achar alguém que olhasse a pergunta e perguntass o que estava lá, e não encontrei!
    Essa ano e meio depois do concurso do Bacen a evolução foi para focar em outras matérias, mas não no estudo para provas porque a única coisa que fiz foi comprar cursos e deixar eles de lado. Deixei de abrir o código e acabei enfiando os pés pelas mãos.
    Então simplificar é a forma de passar em concurso.
    Achei ótimas as dicas do professor, só indico um teste para que quiser tentar : não sublinhar e sim, fazer resumos se não estiver aberto o edital. Não levar note para a aula, mas um bom código e escrever a mão!

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  9. Gostei do seu depoimento Fernanda. Obrigado!

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  10. Muito obrigado professor, foi um alívio saber que estou no caminho certo, agora me sinto mais confiante e seguro com o método escolhido.

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  11. Professor, muito obrigado pela excelente contribuição, é um alívio saber que estou no caminho certo, agora sinto-me mais confiante e seguro com o método escolhido.

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