sexta-feira, 10 de julho de 2015

Reinaugurando o blog: 10 passos (não tão simples) para o sucesso em concursos

Aqueles que me dão a honra de acompanhar este blog há alguns anos sabem que eu não sou um blogueiro padrão. Não posto todo dia, não tenho opiniões fechadas e definitivas sobre tudo, não comento todos os assuntos do momento, não tiro selfies de mim mesmo (imagine só!) e sumo de vez em quando. Acho que quem passa por aqui há mais tempo está acostumado com isso.

Esse último sumiço, no entanto, por ter sido mais prolongado, merece explicação. Depois que retornei dos Estados Unidos, eu fiquei, é claro, absolutamente transtornado para terminar a tese. Trabalhando no MPF, dando aulas no Mackenzie, revisando o Estatuto da Igualdade Racial, que já saiu, e o Estatuto do Índio, que agora vem aí mesmo. Então, infelizmente, não é nem que eu não tivesse tempo, eu não tinha higidez mental para escrever.

Mas, tudo passou, e agora estou de volta e gostaria de conversar um pouco sobre o que vivi nesse período. Escrever uma tese de doutorado tem várias similaridades com o estudo para concurso público. Em primeiro lugar, é uma empreitada de longo prazo. A minha começou há exatamente quatro anos. Segundo, não há garantia de sucesso. Você pode se esforçar muito e terminar com uma tese medíocre ou mediana. Para quem só quer o título, tudo bem, mas para quem quer fazer alguma diferença para o estudo do tema, isso é muito frustrante. Terceiro, a autocobrança é incessante. Todos os momentos de folga são devotados ao tema. Eu tive inúmeras insônias relacionadas ao trabalho e, quando dormi, sonhei várias vezes com ele.

O estudo para concursos tem um agravante a mais: ele não tem prazo para acabar. Como, então, lidar com isso? Eu ofereceria algumas sugestões, que são, é certo, mais fáceis de escrever que de implementar:

1 – Fique frio: ao contrário do que eventualmente ocorre na graduação, eu nunca vi um candidato que ganhou um único ponto porque desatou a chorar para o examinador. Você precisa ser pragmático com o que você quer, com o que você está disposto a sacrificar para chegar lá e com as suas possibilidades pessoais. Se você só tem duas horas por dia para estudar, estude duas horas. Sem neura. Mas não espere ser Procurador da República em 1 ano. Não vai rolar.

2 – Acabou, acabou: por mais difícil que pareça, você precisa ter uma vida para além do direito, especialmente se você tem familiares (cônjuges, em especial), que também estão estudando. A história do “só se fala de concurso nessa casa” contribui para aumentar a tensão e não para otimizar o estudo.

3 – Estabeleça metas de curto, médio e longo prazo, tanto de estudo, quanto de desempenho: esse é o conselho mais batido, mas ele não é fácil de seguir. Você precisa saber o quanto está evoluindo. O que você quer ter estudado daqui a um mês? E daqui a seis meses? E daqui a um ano? Quando você acredita, realisticamente, que você deveria estar pelo menos nas etapas mais avançadas de um concurso? Ao ter uma noção mais firme disso, você poderá monitorar o seu progresso e verificar onde estão os problemas.

4 – Supra suas deficiências: sim, primeira etapa cai quase que só lei. Ok, mas se você não sabe nada de licitações, será que adianta ler a 8.666/93 seca? Eu diria que não. Você não vai entender quase nada e, com isso, memorizar se tornará um desafio maior. Você precisa entender pelo menos um pouco da matéria para depois mergulhar na lei seca. E qual lei estudar? Priorize, sempre, aquilo que você sabe menos. Entenda bem: todo concurso tem questões fáceis, médias e difíceis em cada matéria. Se você estudar pelo menos um pouco de cada coisa, poderá acertar um número substancial de questões, mesmo que você efetivamente não domine a matéria. O maior erro que vejo em preparação são pessoas se focando muito em uma coisa só, porque gostam dela, ou porque acham importante para a carreira. Não se engane: na maioria dos concursos, a relevância das matérias que são cotidianas para a atuação do profissional é menor do que deveria ser. O MPF é uma prova disso.

5 – Faça questões: você precisa responder, literalmente, milhares de questões. O aprendizado do texto corrente é muito diferente do que decorre da leitura plana do livro. Você perceberá aspectos que nem imaginava que não tinha entendido.

6 – Tire férias: a não ser que o seu tempo seja muito limitado, ou que você esteja nas etapas finais do concurso, você precisa interromper os estudos em algum momento. Não precisa ser férias de 30 dias. Podem ser só 5. Mas você precisa, em algum momento, parar. Isso colabora até mesmo para a absorção do conhecimento estudado.

7 – Pluralize: estudar por uma única fonte – só ler ou só assistir aula, ou só resolver questões – é geralmente muito cansativo e o rendimento é pequeno. Alternar entre fontes de estudo variadas é a melhor maneira de aprender de forma mais concreta.

8 – Contextualize: a leitura de teoria é pobre se você não sabe como aquilo é cobrado na prova, ou como é operado na prática. Depois de ler ou assistir aula sobre um conteúdo, é importante ler algumas decisões judiciais e resolver algumas questões sobre ele. A prática favorece a memorização.

9 – Diagnostique: você precisa saber o que está errado com você mesmo. O que está faltando? Qualidade no estudo? Mais tempo disponível? Mais regularidade (ao invés de estudar dez horas em um dia e nada nos dias seguintes, não seria melhor estudar 2 horas por dia?)? Mais habilidade para resolver questões de múltipla escolha? Você precisa desenvolver técnicas para identificar o que está errado e, a partir daí, pensar em correções.

10 – Não acredite em milagres. Há pessoas que passam em pouco tempo, há pessoas que levam anos para passar. Isso depende de várias condições pessoais, tais como capacidade de memorização e apreensão de informações, tempo disponível, conhecimento prévio, qualidade do estudo durante a faculdade.

É isso. Como eu disse, mais fácil de dizer do que de fazer. O que está aqui é uma síntese, mas tenho inúmeros outros posts pretéritos sobre cada um desses assuntos. Agora que estou de volta, vamos colocar o assunto em dia.

4 comentários:

  1. Boa tarde, é possível a aprovação no Concurso de Procurador da República com apenas 1 ano de preparação específica? O que priorizar? Estou no quarto ano do curso de Direito, é interessante a preparação específica para o concurso nesse momento? Agradeço, e aguardo uma resposta, se possível. Atenciosamente, Adroaldo Souza.

    ResponderExcluir
  2. Olá Exmo. Sr. Dr. Prof.
    Tenho facilidades em bancas do tipo FCC decoreba fazendo questões, questões é, para mim, o meio que mais aprendo. Contudo, meu concurso sonho, desde que estagiei no MPF, é Procurador da República. Saberia indicar algum site de questões ou livro que eu pudesse estudar dessa forma para este concurso? Pegando pesado nas questões? Ou devo eu mesma ir criando questões quando das minhas leituras? O quê sugere? Tenho seguido muito o Graal e suas dicas mas pouco detenho na memória apenas com leituras....como sanar meu problema? E com a banca nova do MPF? Sigo no Graal? E o novo CPC? Pensei em proc civil, deixar graal de lado e seguir pelo novo livro do Fredie Didier pois ele ajudou a elaborar o novo CPC... O quê sugere? Muito obrigada! Forte abraço!

    ResponderExcluir
  3. Professor, primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo seu blog. Seus textos claros e objetivos, sem "rodeios", nos transmitem uma sinceridade difícil de se ver nesse meio onde se prepondera a "indústria dos cursos jurídicos". Você teria alguma sugestão de curso on line para quem quer ingressar na advocacia pública?

    ResponderExcluir