quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

20 páginas por dia: o desafio

Um dos assuntos sobre os quais mais sou questionado tem relação com a produtividade do estudo. Quantas páginas devo ler por dia? É uma preocupação compreensível. Qualquer um que já frequentou um curso preparatório está familiarizado com a figura do “gênio” (ou “jênio”, como anda na moda escrever em homenagem a esses seres). Aquele sujeito que fica no corredor discutindo um assunto complexo e se vangloriando das 100 ou 150 páginas que leu no dia anterior. Muita gente se deprime muito com isso e começa a achar que o estudo está rendendo pouco.

Em razão dessa pressão, muitos começam a achar que têm que ler mais páginas ou passar mais horas estudando por dia. Isso é um equívoco. Se você não tem hábito de estudar dez horas por dia, não adianta começar a fazer isso de um dia para o outro. Não vai dar certo. Se você não tem hábito de ler 100 páginas de uma vez, está perdendo seu tempo. Você não vai absorver o que está ali.

Já escrevi anteriormente que estudo não se mede por “horas-bunda”. Não interessa quanto tempo você passa na cadeira, mas o que você aprende nesse período. Não me interessam conceitos como “horas líquidas de estudo” e outros que, de fato, têm seu valor. Mas meu foco é outro. O que me interessa é o que você efetivamente aprendeu sobre o assunto.

Por isso, quero lançar um desafio: não leia 100 páginas por dia. Leia 20. Mas o faça da seguinte forma:
  1. Leia as 20 páginas grifando os pontos mais importantes;
  2. Volte no começo e faça um resumo do tema, relendo apenas os pontos que você grifou;
  3. Pesquise na internet ou em livros dos quais você disponha questões de concurso, jurisprudência ou debates que existem sobre aquele tema e entenda qual a polêmica existente.
  4. Resolva as eventuais questões e descubra por qual razão as alternativas envolvidas estão certas ou erradas.
Obs.: muitas vezes é difícil separar questões sobre um único assunto. Sem problemas. Aproveite para ampliar a sua pesquisa para coisas que estão fora das 20 páginas.

Quem lê 20 páginas por dia lê 100 em uma semana (desconsiderando o sábado e o domingo. Vejam como sou generoso!). São 400 páginas em 1 mês. Isso significa que, em 2 meses, você terá estudado um manual de direito administrativo inteiro. E bem estudado! Isso é ruim?

Direito Administrativo é uma das principais matérias em qualquer concurso. Estudá-lo bem em 2 ou 3 meses não me parece, nem de longe, um cronograma ruim. E, melhor de tudo, ao final você terá um resumo para recordar sempre que precisar. Isso significará, em 1 ano, 1 manual de pelo menos 6 ou 7 matérias.

E quanto tempo devo estudar por dia? Tanto quanto for necessário para cumprir os passos anteriores. Se você levar 2 horas para fazer isso, excelente. Vá para a piscina antes que o racionamento de água comece. Se levar 6 horas, então você precisa estudar 6 horas. Isso não é importante. O que é fundamental é que você de fato aprenda o que está ali.

Na minha opinião, o principal desafio do estudante de concursos é parar de andar em círculos. É aquela sensação de “estudo muito mas meus resultados não melhoram”. Meu diagnóstico é que esse “muito” se refere a tempo, não a qualidade do estudo. Não me importa se você estuda muito. O que me importa é se você aprende muito.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Curso para a prova oral do 27º Concurso do MPF

É certo que o tempo voa, mas acho que, nos concursos, ele passa ainda mais rapidamente. Já estamos na prova oral do 27º Concurso para Procurador da República. Tal como nos dois concursos anteriores, terei o prazer de ministrar aulas para os candidatos que estão nesta derradeira etapa. Já temos 3 dias de aulas confirmados para janeiro e, para quem ainda não se integrou em qualquer deles, fica aqui a oportunidade. Ministrarei o curso para uma 4ª turma em 21 e 22 de fevereiro. Quem tiver interesse, pode entrar em contato com o Daniel, pelo e-mail daniel@verbojuridico.com.br e ele dará os detalhes. O programa permanece aquele que já está no blog e pode ser lido aqui. Inclui aproximadamente 6 horas de aula expositiva e 4 horas dedicadas a simulações.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Sobre o Natal e os concursos


Pode parecer que não, mas o Natal e outras datas festivas têm muito a ver com a preparação para os concursos públicos. É que nessas épocas nossa sociedade tradicionalmente valoriza a reflexão, o "pensar na vida" nesses momentos do ano. E isso, para quem acumulou esforços e, eventualmente, resultados negativos ao longo dos últimos meses, pode ser muito doloroso. 

Por isso, minha sugestão é fazer o contrário disso. Esse não é o momento de avaliar como foi o seu ano enquanto candidato. Não é o momento de pensar o que deu errado ou quais as razões dos seus resultados. Auto avaliação é, na minha opinião, uma das coisas mais importantes que um candidato tem a fazer quando é reprovado. Mas não agora. Deixe para pensar nisso em 2014. 

Nessa contexto, vou repetir meu conselho de todos os anos: a não ser por aqueles que, tal como os meus alunos do MPF e da Magistratura, estão a caminho de uma prova oral, agora não é o momento de estudar. Como diria meu querido avô, que tive a infelicidade de perder neste ano, "quem não se contentou com comer, muito menos com lamber". Se você levou os estudos a sério o ano inteiro e não tem uma prova iminente, estudar agora não resolve nada. Se você não estudou, não adianta agora entrar em crise e levar o vade-mecum para a ceia de Natal. Isso não vai adiantar nada, só vai servir pra você se estressar. 

Desejo a todos um feliz natal e aproveito a oportunidade para agradecer a atenção, o carinho e, especialmente, o valioso tempo que vocês dedicaram a mim durante este ano. Espero que tenha valido a pena.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Como dividir o tempo durante as provas

Muitas coisas que acontecem na minha vida acabam me afastando um pouco do blog. Uma delas foi recente e, antes de falar sobre ela, gostaria de agradecer a todas as pessoas que reclamaram e vociferaram contra a minha ausência. Fico realmente lisonjeado que haja tanto interesse no que eu tenho a dizer.

O que aconteceu é que, como sabem, estou cursando o doutorado na UFPR e pretendo realizar uma parte da pesquisa nos Estados Unidos, uma vez que meu tema são as class actions. O problema é que, para ir na condição de visiting researcher, ou seja, de modo oficial, é preciso prestar o exame do toefl e obter pelo menos 100 pontos, em um total de 120. É uma nota bastante alta.

Para encurtar as coisas, eis-me, mais uma vez, fazendo um concurso. Estudei inglês durante muitos anos, mas há muitos anos atrás. Então, estava enferrujado. Primeira providência, cursinho. Achei que, para pegar o ritmo novamente, precisava de um professor. Acho que isso vale também para concursos, mas farei um post específico sobre esse assunto nos próximos dias. 

Fui fazer a prova e a primeira parte dela é a leitura. É a parte que, de longe, considero mais fácil. Então, comecei tranquilo, fui lendo os textos sem grande pressa. Sabia que essa parte estava no papo.

Só que eram 42 questões, para serem respondidas em 60 minutos e elas se referiam a 3 textos diferentes. Quando me dei conta, ainda tinha mais de 20 questões para responder e um texto inteiro para ler e faltavam menos de 20 minutos. Fiquei totalmente desesperado. Essa prova é feita no computador e fica um relógio regressivo na tela. Eu só conseguia olhar no relógio. No final, tive que chutar umas 8 questões sem nem ler o que estava escrito.

Parafraseando a propaganda do Pelé, isso nunca tinha me acontecido antes. Fiz dezenas de provas de faculdade, concursos públicos, seleção de mestrado e doutorado e nunca, nunca tinha tido problemas com tempo. Foi, confesso, um grande trauma.

Essa situação me fez pensar na dificuldade que muitas pessoas têm com o tempo nos concursos e da necessidade de lidar com isso. Na primeira etapa do MPF, que são 120 questões em 5 horas, muitas pessoas já me disseram que tiveram que chutar as últimas questões por falta de tempo.

Acho que a experiência negativa que tive é extrapolável para a maioria das situações: quem tem problemas com o tempo nos concursos é porque dá bobeira no começo. Acha que tem que ler tudo com muita calma e pensar bastante antes de se decidir. No final, acaba sendo obrigado a correr.

É preciso ter consciência de que as questões têm valor igual. Não adianta pensar longamente em uma só para ter que chutar a outra depois. Na minha opinião, a solução para esse problema é matemática. É preciso dividir o total de questões da prova pelo tempo, dar uma margem de erro, especialmente para passar o gabarito e fazer acompanhamentos parciais.

Vou dar o exemplo com o MPF. São 120 questões e 300 minutos. Vamos tirar 30 para o gabarito. 120 questões em 250 minutos. Isso significa aproximadamente 2 minutos por questão. Então, ao final da primeira hora ou, no máximo, aos 70 minutos de prova, você deve ter terminado 30 questões ou 1 grupo inteiro. Assim, você terminará a prova toda entre 4 horas e 4 horas e 40, com tempo bastante para passar o gabarito.

Mas o importante é manter esse controle durante toda a prova e se perceber que está atrasado, começar a tirar o atraso desde cedo, sem deixar que ele se acumule no final. Acostume-se a monitorar a si mesmo e esse problema vai acabar. 1ª hora: 30 questões. 2ª hora, 60 questões e assim por diante. Não se deixe dominar pela prova. Domine-a.

Sei que muita gente vai dizer que isso é óbvio. Garanto que para quem já esteve na situação em que eu estive recentemente, chegando ao final de uma prova e, sem saber a razão, com inúmeras questões ainda por responder, isso não é nada óbvio. Só quem viveu sabe o desespero que é. A solução pode ser simples, mas o problema é muito sério. É preciso compreender que você não pode fazer a prova no seu ritmo. Cada prova tem um ritmo e você precisa se adaptar. No meu caso, eu deveria ter respondido uma questão por minuto, deixando o tempo extra para as mais difíceis. É muito pouco tempo, mas se eu não adaptar meu ritmo à prova, jamais serei capaz de fazê-la adequadamente.

P.S.: No final das contas, recebi o resultado hoje e marquei 113 pontos no teste. Bem mais que o necessário. Mas isso não tirou a sensação de desespero do momento.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Resultado da 2ª etapa do concurso do MPF

Essa semana tivemos o resultado da prova aberta do 27º concurso para Procurador da República. Foram 79 aprovados e está correndo o prazo recursal. O resultado ficou dentro do previsto. O número de vagas abertas até então é um pouco menor do que isso e o número é compatível com o que tivemos nos dois concursos anteriores. Pelos contatos que já tive com os candidatos, os grupos 2 e 3 foram os que mais causaram problemas, em razão do rigor da correção. Quanto ao G3, vou me permitir reproduzir o elogio que recebi de um candidato aprovado: 

recebi a feliz notícia de que fui aprovado na prova discursiva e vou para a prova oral do 27 CPR. Devo muito ao senhor, por sinal, pois o parecer do GIII foi esmiuçado pelo senhor na aula sobre Quilombolas (caso da Ilha da Marambaia/RJ).

De fato, tanto quem assistiu minha aula, quanto quem leu meu livro Estatuto da Igualdade Racial e Comunidades Quilombolas (especialmente páginas 236 a 243), tinha lá, prontinha, a tese principal do caso, que é o julgado do STJ relativo à Ilha da Marambaia. Não preciso dizer que fiquei muito feliz com isso. 

Para quem não passou, eu recomendo que recorram. Recorrer é de graça e o MPF tradicionalmente dá provimento em alguns recursos na segunda etapa (embora poucos). Para quem passou, é hora de pensar na inscrição definitiva (vale a pena dar uma conferida no post  A bíblia dos três anos de atividade jurídica), e, é claro, começar a preparação para a prova oral. Tal como nos dois concursos anteriores, ministrarei o curso para essa etapa em parceria com o Verbo Jurídico. Estamos planejando a primeira turma para o dia 18 de janeiro, uma vez que, quanto mais cedo for o curso, mais tempo o candidato tem para praticar as dicas. Quem tiver interesse, pode mandar um e-mail para daniel@verbojuridico.com.br ou ligar (51) 8142-3797. 

Farei também mais algumas postagens de dicas para a prova oral. Quem quiser, pode ler as que já estão disponíveis no blog para começar a entrar no clima.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Estudar pelo edital ou ler a matéria completa?

Uma pergunta que eu recebo com muita frequência se refere à técnica de estudo: é melhor estudar pelo edital, seguindo-o ponto por ponto, ou ler uma obra inteira da disciplina?

Sou adepto da segunda técnica, a leitura de obras como um todo para cada matéria, especialmente para quem está começando. Estudar seguindo os itens do edital, por mais interessante e racional que pareça, é uma técnica que tem vários problemas.

O primeiro deles é a própria estruturas dos editais. Nem todos são bons. Muitos, senão a maioria, não têm a preocupação de organizar os pontos em uma ordem lógica. O edital não é um guia de estudos, de modo que essa organização não é sua preocupação primária. Basta pensar no edital do MPF. É uma bagunça total para quem o lê pela primeira vez. Mas isso tem uma razão. O edital do MPF organiza os pontos para permitir que pontos variados sejam cobrados do candidato na prova oral, evitando que o candidato possa ser muito prejudicado pelo sorteio. Assim, o candidato fica com duas opções: perder um longo tempo reorganizando tudo ou estudar a matéria fora de ordem.

Perder tempo reorganizando o edital é, como parece evidente, perda de tempo. Você vai ficar horas reorganizando coisas sem que disso resulte uma vantagem evidente. Isso supondo, é claro, que você conheça a matéria tão bem ao ponto de saber reorganizá-la adequadamente,

Estudar pulando para frente e para trás no livro também não é boa ideia. Como autor de dois livros, posso dizer a vocês que, quando o autor escreve o livro, ele pressupõe que o leitor vai lê-lo na ordem. Assim, é comum que determinados assuntos que estão, por exemplo, na página 200, pressuponham do leitor o conhecimento do que está antes. Ninguém escreve um livro explicando em cada capítulo aquilo que já constou dos anteriores. Por isso, se você começa a pular coisas, corre sempre o risco de ter mais dificuldade para compreender outros assuntos.

Outro problema é que muitas vezes você pode interpretar mal o edital e, na ânsia de selecionar partes de um livro, supor que um determinado tópico está excluído quando, na verdade, não está. Para quem pretende estudar uma matéria exaustivamente, é sempre bom interpretar o editar de modo ampliativo.

O terceiro problema se refere à pouca utilidade desse esforço todo. É claro que, por exemplo, se o edital do seu concurso não prevê que seja cobrado, em constitucional, nada sobre sistema tributário nacional, não tem sentido ler sobre isso. Por outro lado, tem gente que, se o edital diz que vai cobrar ação direta de inconstitucionalidade, entende que não precisa ler nada sobre ação declaratória de constitucionalidade ou arguição de descumprimento de preceito fundamental. Isso eu considero um erro. A compreensão de determinados institutos pressupõe que você entenda outros. Há determinadas coisas que não se pode estudar em fascículos.

O último óbice tem a ver com formar uma base de conhecimento. Pular partes da matéria faz com que você tenha compreensões parciais das coisas, o que prejudica sua memorização. Você acaba refém de decorar coisas que você nunca entende perfeitamente, ao invés de entender o que estuda, o que propicia uma apreensão que dura muito mais na memória.

Em síntese, use o edital apenas para selecionar grandes segmentos da matéria que são cobrados e não para pular umas poucas páginas no livro. Selecionados os tópicos a serem abordados, leia tudo. Se, eventualmente, alguma coisa não for aproveitável agora, certamente o ajudará a compreender a matéria com mais profundidade e, ainda mais, poderá ser aproveitada em um concurso futuro. Essa é uma daquelas situações em que devagar se vai mais longe.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Segunda etapa do Ministério Público Federal 1

Já escrevi sobre o estudo para a segunda etapa algumas vezes, mas acho que, dada a situação do 27º concurso do MPF, em razão da elevada nota de corte da primeira etapa.

Sobre essa nota, aliás, recebi um comentário de um leitor no sentido de que, apesar das aparências, nem eu nem outros que fizeram previsões acerca de tal nota erraram tanto quanto parece. A prova, em primeiro lugar, foi mais fácil que a anterior. Em segundo lugar, foram anuladas 9 questões, o que significa pelo menos 11 pontos a mais para os candidatos. Assim, quem já tinha 74 pontos, subiu para os 85 pontos (desde que, por azar, não tivesse acertado alguma questão anulada, é claro).

Previsões à parte, vamos à segunda etapa. O primeiro ponto fundamental é esse é o momento em que o perfil do examinador conta muito. Aqui ele tem total liberdade de elaborar a questão que quiser. Na oral, ele está restrito ao ponto sorteado e, na primeira fase, está (ou deveria estar) restrito pelas resoluções do CNMP.

Na segunda etapa, o céu é o limite. Então, esse é o momento de buscar conhecer o examinador. É hora de buscar as matérias que ele gosta, os textos que ele já escreveu, aquilo em que ele vem trabalhando.

Vou trabalhar essa questão aqui no blog, examinador por examinador. Mas hoje quero falar de questões mais gerais. Sua primeira missão, se você está entre os 240 aprovados, é ler as provas abertas do 25º e 26º concursos, de modo a ter uma boa noção de como são as perguntas.

Sua primeira impressão, muito provavelmente, será: “meu Deus do céu, não sei nada disso!” Respire fundo, isso não é verdade. A regra número 1 da prova aberta é que não se deixa questão em branco. A correção do MPF costuma avaliar muito o conhecimento demonstrado pelo candidato, mesmo que a resposta não esteja propriamente dentro do desejado. Então, aqui é o momento de usar o que eu sempre chamo de “raciocínio jurídico” e se esforçar para elaborar respostas, mesmo que você não tenha absoluta segurança do que está dizendo.  Se você se sente muito desconfortável com isso, talvez seja bom praticar um pouco.

Segunda coisa. É hora de ler doutrina. Como você também já terá percebido pela leitura das provas anteriores, a prova é muito conceitual. Lei seca não ajuda muito e você já teve ter tido uma boa dose disso antes da primeira etapa.

Mas, tem um porém. Nos últimos 2 concursos, especialmente no 26º, a prova ganhou uma boa dose de pragmatismo. Caiu um recurso e três pareceres, ou seja, uma guinada de 180 graus em relação ao 24º concurso, em que todas as dissertações foram dissertações puras, sem aplicabilidade prática.

Então, se você tem alguma dúvida sobre isso, é melhor dar uma olhada. Embora tenha havido inversão dos examinadores de processo penal, continuo apostando em uma peça processual no G4. Quem é fraco em processo penal pode começar se atentando para isso. Lembre-se também de que parecer não é uma simples dissertação. Estruture o texto como um parecer (Relatório-Fundamentação-Conclusão). Uma boa dica, caso haja um caso tão complexo como o do G2 do 26º, é fazer, no relatório, apenas uma descrição genérica da situação e referir que, por brevidade, os argumentos específicos serão expostos ao longo da fundamentação. Assim, você não perde linhas preciosas com argumentos que deverão ser retomados depois.

Para fechar o post, um vídeo da Deborah Duprat. Apesar de postado com finalidade de crítica, o que ela fala está corretíssimo. A consulta preconizada pela Convenção 169 da OIT não é vinculante. Isso não significa que ela possa ser feita de qualquer jeito, para não valer nada. Ela tem que ser feita de boa-fé, buscando, de modo fundamentado, a melhor alternativa. É uma boa aula.